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Notas sobre a internet

Por Bianca Giordani

As manifestações do nosso atual contexto tecnológico, como a Internet, não surgiram simplesmente, foram criadas e lapidadas a partir de necessidades e propósitos, esses podem até ter fugido do foco ao longo dos anos da existência da Rede, mas eles existem, estão enraizados na nossa cultura, promovem mudanças no âmbito social e estão todos os dias ai na tentativa de suprir nossos anseios por informação, conhecimento e interação.

Como ponto de partida a “sociedade da informação”, a qual todos nós fazemos parte e que norteia as relações de poder desse nosso atual cenário, onde se tem a informação como moeda de troca e o que faz com que a busca por ela seja cada vez mais comum, tornando o trabalho intelectual muito mais demandado e necessário que no passado.

Com tudo isso, há um desejo de deter informação da maneira mais ágil, cômoda e eficaz, para que tudo isso se tornasse tangível o homem pós-moderno criou uma ferramenta, aquela que hoje conhecemos como Internet, que, supostamente, dá a possibilidade de se acessar o mundo através de um simples “clicar”.

Dessa maneira, a Internet torna-se, nesse momento, não somente produto pós-moderno, mas também se caracteriza como expressão dele, uma vez que dá à humanidade a possibilidade de se redescobrir enquanto sujeitos sociais influentes, revolucionando os conceitos das relações sociais, enfatizando o “eu” concomitantemente esse “eu” torna-se cada vez mais público, dando espaço para a liberdade e a autonomia existirem, mas também se sofre a influencia da cultura de massa. Além disso, há um espaço amplo para o fluxo informacional, que em nenhum outro veículo é tão grande e tão diferenciado, o que propicia uma gigantesca pluralidade dispersa dentro da Rede de varias maneiras.

Há, com a Internet, uma popularização de informação e conhecimento, no sentido de que oferece a um maior volume de pessoas no mesmo espaço de tempo a possibilidade de transitar por universos nunca antes vistos, interagir com saberes produzidos e (re)produzi-los. Tudo isso veio a acarretar mudanças na esfera social, uma vez que tira da formalidade assuntos antes detidos apenas pelas elites intelectuais e propicia o conhecimento deles por parte da população em geral.

Viabilizou-se o acesso à informação e conhecimento, possibilitando aos seus usuários maior liberdade para interpretações devido ao grande volume de canais por onde eles são difundidos, gerou alternativas para o consumo dos mesmos, suscitou a democracia (pois, teoricamente, cada um se vale daquilo que acredita ser proveitoso) e propõe a interação entre emissor e receptor, tornando o usuário sujeito ativo em alguns canais.

Para o bem ou para o mal, a Internet deu voz a todos aqueles que por alguma razão desejavam serem ouvidos. Ilustração: Gus Morais

Mesmo que a Internet tenha transformado de forma proveitosa a concepção que se tem hoje a cerca da obtenção/acesso a dados, quando se cria um panorama de avaliação depara-se com o a problemática de como atestar a qualidade daquilo se é oferecido na Rede, para os meios de comunicação tradicionais geralmente o que garante a credibilidade é a notabilidade da fonte, para a Rede esses critérios ainda são pouco definidos, o que na maioria dos casos os websites fazem é valer-se de outros veículos, alicerçam seus escritos em canais que são anteriores à Rede. Partindo desse pressuposto, a pós-modernidade propõe intercâmbio entre os pontos de vista, ou seja, não há como se constatar o que é certo ou errado, uma vez que o fascínio pela Internet está na sua pluralidade e da possibilidade de incluir as pessoas tornando-as críticos em potencial, no entanto, faz-se necessária a proposta de uma educação tecnológica, no sentido de que o ceticismo aconteça, a fim de que cada indivíduo crie os próprios filtros e racionalize aquilo que se vale da Internet.

É inegável que além de informação e conhecimento a Internet também tenha dado acesso a muitos outros tipos de manifestações, o que para alguns – as mesmas – são consideradas alienadoras, porém esse fato não deixa a Rede menos vantajosa, pelo contrário, esses tipos de manifestações são de mesmo caráter de muitas que ocorrem fora do ambiente virtual, ao serem incorporadas pela Internet elas apenas ajudam a reproduzir o ambiente social, o que para pesquisadores da área é fator que tem a potencialidade de transformar a organização instituída da sociedade, uma vez que dá maior visibilidade dos fatos que ocorrem socialmente, dando a cada sujeito que acessa o ambiente virtual maior lucidez sobre tudo aquilo que o cerca e consequentemente conhecer mais sobre si.

“Temos um espaço onde o hibridismo cultural passa a ser massificado e até incentivado como argumento de tolerância entre os povos em que explora a diferenciação local.”

Referências:

  • SILVA, Tiago Eurístenes Rocha da; NASCIMENTO, Wildna Silva do. Internet e pós-modernidade: a utilização das redes sociais eletrônicas como meio de sociabilidade. <http://http://www.eventosufrpe.com.br/jepex2009/cd/resumos/R0879-1.pdf>.
  • OLIVEIRA, Isabela Lara. Hipertexto: universo em expansão.
  • <http://http://www.rodrigobarba.com/pos/teses/1999_Isabela_Lara_Oliveira.pdf>.
  • MACHADO, Ana Claudia Teixeira. Novas formas de produção de conhecimento: utilização de ferramentas da web 2.0 como recurso pedagógico. : <http://http://revistas.udesc.br/index.php/udescvirtual/index>.
  • Ilustrações: Fí http://falafi.blogspot.com.br/ e Gus Morais http://www.gusmorais.com/

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Bianca Giordani

Bianca Giordani

Estudante de Design da UTFPR e CORDe de conteúdo do R360

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