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O Homem dos anos 2010 – Parte II

Por Henrique Cabral

Uma análise das necessidades e desejos do homem moderno sob o prisma da Pirâmide de Maslow.

Você já pensou alguma vez, ao se olhar no espelho o motivo pelo qual se veste? Não digo agora isoladamente sobre o estilo com qual se veste (ver Parte I), pois este foi uma criação recente da sua persoanlidade. Formada através dos gostos e simpatias criadas ao longo de sua vida (e ainda é passível de mudança).

Digo dos motivos mais profundos que o levam a se vestir, vestir a roupa como uma capa, uma persona(1). O que te leva a cobrir o corpo e pensar “ok, estou pronto pra encarar o mundo lá fora”?

O homem comtemporâneo pode ter como uma de suas características a ser lembrada no futuro, como sendo o homem dos questionamentos. Não que antes dos anos 2010 o homem já não o tenha sido. Foi sempre a pergunta que moveu a humanidade adiante, mas nunca como hoje em dia houve tanta informação à sua disposição, e se teve tanta liberdade para se pensar e falar sobre tudo.

Mas nesse mar semiótico(2) da moda, pensar nos detalhes que nos trouxeram até os dias de hoje, pode ser uma forma importante de reconhecer aspectos da nossa personalidade. Ou simplesmente nos mostrar se seguimos o rebanho.

Segundo Maslow(3) e sua “Teoria da Hierarquia das Necessidades”, o homem individualmente busca satisfazer seus anseios conscientes e inconscientes segundo uma ordem.

A primeira forma de indumentária que o homem produziu foi buscando proteger o próprio corpo das intempéries da natureza, animais ou do ambiente. Na hierarquia de Maslow, o modo como nos vestimos faz parte do segundo nível das nossas necessidades, a segurança.

Portanto, nossa primeira preocupação ao nos vestir é “vou precisar me proteger do quê”?

Na segunda posição hierárquica de nossas necessidades, nos deparamos com a máxima de que “o ser humano é um ser social”. Passamos neste momento a nos preocupar “com quem iremos interagir”? De que forma interagiremos com estas pessoas? A que nível será levada esta interação?

Neste ponto a auto-análise daquilo que eu vou ou não vestir atinge outro status de importância, uma vez que o crivo do outro, têm extrema importância sobre nós.

Tal qual ocorre em experimentações químicas, a mistura daquilo que somos com o mundo externo é capaz de produzir resultados inesperados.

Estes terão profunda influência no nosso comportamento e decisões posteriores sobre o modo que nos vestiremos para encarar o mundo, pois estará ligado intimamente com nossa auto-estima.

Por último aquilo que conseguimos com a soma dos agregados conscientes e inconscientes que nos levaram a decidir como nos vestiremos antes de sair do quarto, resultará no indivíduo que somos, realizados ou manipulados, pastor ou rebanho!

Com uma análise como esta, fica mais fácil (ou não) compreendermos o porque do perfil do consumo de moda nesta década estar se mostrado mais personalizada. Diferente das décadas de 80 e 90, onde fazer parte de uma massa era ser cool, hoje percebemos pessoas dos mais diferentes estilos convivendo bem dentro de um mesmo grupo, uma vez que a forma como se comunicam (pela forma como se vestem) as tornam mais autênticas.

E você? Como vai sair de casa hoje?

  • 1. Persona: a) Máscaras utilizadas no teatro grego para os atores representarem diferentes papéis. b) Na psicología Junguiana representa a forma com a qual lidamos com o mundo exterior.
  • 2. Semiótica: Ciência que estuda os sistemas de significação dos símbolos em fenomênos culturais e sociais.
  • 3. Maslow: Abraham Maslow, psicólogo americano (1908-1970)
Henrique Cabral

Henrique Cabral

Produtor Executivo e Gráfico de Moda tendo produzido campanhas no Brasil e no Exterior. Acredita que o vestuário é uma das das formas de comunicação não verbal mais fortes da sociedade.

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