Battleship Potemkin 1905 Poster by Alexander Rodchenko

Construtivismo Russo – Parte 2

Por Rob Batista

They wanted those forms to become signifiers of a new spirit. Their ambition was to create a new social role for art, one that made the artist a significant participant in the organization and building of social life (Margolin, 1997)

No post anterior falei do contexto em que se deu o Construtivismo e alguns de seus aspectos. Aqui, pretendo abordar alguns dos movimentos e escolas influenciadas pelo movimento de vanguarda russo.

Como colocado anteriormente, o movimento construtivista, que prezava pela democratização radical da tecnologia disponível para a produção artística, foi responsável pela abertura de várias escolas e grupos que propunham algo entendido por alguns como o início do ensino de design, por exemplo, as VKhUTEMAS (Oficinas Técnico-Artísticas Avançadas). A abordagem utilitarista e funcionalista da arte se tornou a perspectiva mais comum através da qual viríamos a enxergar o design e outros movimentos artísticos que ultrapassaram as fronteiras da União Soviética, se espalhando pela Europa, principalmente por Alemanha e Países Baixos.

A que mais contribuiu para a forma como foi entendido e produzido design no século passado foi a Bauhaus. Sendo considerada berço do design moderno, a Bauhaus teve como proposta inicial elevar o artesanato à um nível equiparado ao das belas artes e uma integração maior de técnicas e habilidades por parte dos mesmos. Esteticamente falando, ela pretendia acabar com a divisão entre as belas artes e as artes aplicadas. Em relação ao ensino, separava a técnica (que podia ser ensinada) da invenção criativa (que não podia). A escola exaltava o desenvolvimento de edificações racionais e funcionalistas, com máximo aproveitamento do espaço, tempo e recursos, sendo assim, multiplicável. Assim como as VKhUTEMAS, a base da Bauhaus eram os laboratórios, nos quais protótipos ou produtos passíveis de produção em massa eram desenvolvidos e perfeiçoados.

O Construtivismo pensava a construção como um sistema de forças integradas que compunham o todo, na combinação de linhas, planos e formas. Diferentemente, a Bauhaus projetava essa construção de maneira plena. Apesar disso, essas duas concepções se encontram novamente no fato de que elas pregavam uma transformação do ambiente humano, afetando assim, a vida social das pessoas, sempre por uma visão funcionalista de tudo.

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Apesar do fato de que o Construtivismo não conseguiu implementar a maioria dos projetos planejados pelo artistas integrantes do movimento e nem concluir uma profunda inserção nos meios de produção, ele foi importante para impulsionar a ligação da arte com a tecnologia e aproximar a produção artística do projeto, como na engenharia, por exemplo, afastando tudo o que fosse acidental e reclamando um caráter funcionalista.

Hoje, vários artistas e designers têm projetos que remontam ao Construtivismo Russo, com uma filiação muito mais estética do que conceitual. E, apesar de não ter esse ligação objetiva, muitos desses projetos, como os de Shepard Fairey, acabaram criando inserções sociais que influeciam bastante ãtravés de motes e temas sociais e políticos, como no movimento vanguardista russo.

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Referências:

  • MARGOLIN, Victor. The Struggle for Utopia: Rodchenko, Lissitzky, Moholy-Nagy, 1917 – 1946. University of Chicago Press, 1997
  • RICKEY, G. Construtivismo: origens e evolução. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.
Rob Batista

Rob Batista

Rob Batista, aka Robin Hood, é paulista e estudante de Design Digital pela Universidade Anhembi Morumbi. Se encontra (e se perde) em Artes Visuais, Antropologia, Filosofia, Ficção Científica, entre outras coisas, e vê no design o poder de (des)construir o mundo. Suas pesquisas, observações e toda a bobagem que fala são muito menos o desejo de explicar e muito mais a tentativa de entender.

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