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Humor nos Video Games

Por Gui Santos

O principal objetivo quando jogamos video game é, com certeza, o entretenimento. Em todos os textos dessa coluna na Cliche falamos sobre maneiras de se projetar o design de um game para potencializar a experiência do jogador. Afinal, é desse modo, basicamente, que manteremos a pessoa sempre retornando ao jogo.

Um artifício que sempre foi utilizado pelos desenvolvedores em todas as gerações é o humor. Isso mesmo, muitos games utilizam piadas como recurso para criar uma ligação empática com o seu jogador. E alguns jogos tornaram-se memoráveis por isso, até mesmo alguns desenvolvedores acabaram sendo ligados a fama de games engraçados …

 

Tim Schafer e Ron Gilbert (Double Fine e a extinta Lucas Arts)

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Seria impossível escrever sobre esse assunto e não citar a incrível Lucas Arts que foi injustamente fechada pela Disney esse ano. Os jogos que marcaram a empresa foram de responsabilidade de dois Game Designers lendários: Tim Schafer e Ron Gilbert que hoje continuam trabalhando juntos na Double Fine.

Os dois principais jogos que marcaram a fama da Lucas Arts são o Monkey Island e o Grim Fandango. Nesses dois games, os designers encheram o game com piadas muito bem escritas e divertidas, além de integrá-las muito bem nas mecânicas do jogo.

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Em Monkey Island, por exemplo, o duelo entre dois piratas não era feito através de golpes como seria em um jogo de ação. Mas sim, de uma briga de ofensas, onde para vencer o combate o jogador tinha que encontrar a combinação perfeita de frases que ofenderiam o rival.

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O último jogo da Double Fine cheio de piadas é o The Cave. Esse é um jogo de aventura onde o jogador precisa resolver uma série de puzzles em uma caverna. Além de descobrir o passado de cada personagem no jogo, o player precisa aguentar a própria caverna fazendo gracinhas contra ele.

 

Novos jogos, sátiras e Brasil

Tem um jogo que merece um destaque, primeiro por ser muito bom e segundo por ser brasileiro! O Knights of Pen & Paper é um game de celular, mas foi lançado recentemente para PC também. Foi desenvolvido pela Behold Studios aqui do Brasil e está entupido de piadas e referências a cultura pop, bem parecido com seriados como The Big Bang Theory e Community.

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O jogo já começa com uma ideia bem diferente: ele é um jogo de RPG, mas nele você joga com personagens que estão jogando RPG tradicional. Por esse motivo, o game fica muito mais engraçado se você já é jogador de RPG ou conhece esse universo.

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Yoda Azul, Mestre Splinter, Mestre dos Magos e Doc. Brown.

O game faz piada com tudo do universo nerd e também com situações engraçadas que acontecem no meio. Por exemplo: você pode jogar com um personagem que o motoboy que traz a pizza para o grupo de RPG; você pode usar o Mestre dos Magos como dungeon master da partida; o cenário pode ser customizado com itens que lembram O Senhor dos Anéis …

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Aquela porta ao fundo te lembra alguma coisa?

Um dos cuidados que deve se tomar é com o “tom” do humor. Não só no caso tornar o jogo impróprio para certos públicos, mas também quando se usa muitas histórias específicas de um nicho muito pequeno. Esse foi um risco tomado pelos desenvolvedores em Knights of Pen & Paper, poderia ter acontecido de poucas pessoas entenderem as referências deles e assim o jogo teria pouco público.

Quando vemos esses jogos, é fácil perceber que o humor é uma excelente ferramenta para criar uma ligação empática com o seu jogador mais forte. No fundo, isso é mais um motivo para o player continuar jogando. Esse é o objetivo do game design, manter as coisas interessantes.

Gui Santos

Gui Santos

Um quase ex-aluno do Design da UTFPR, agora vai! Leva jogos a sério demais e acha que Han Solo atirou primeiro.

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