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Um diferencial para o designer

Por Maia Amanda

O design (gráfico, produto, de moda, web, digital, etc.) por ser uma área com foco mais artístico e técnico, em muitos momentos, acaba se distanciando de projetos acadêmicos e científicos que a área oferece. A maioria das universidades dispõem ao aluno a Iniciação Científica, que consiste na realização de pesquisas de acordo com um assunto de interesse ou algum estudo já em desenvolvimento pela instituição.

No entanto, para as universidades particulares não é tão interessante e vantajoso o desenvolvimento de artigos científicos quanto é para as universidades federais, nas quais a pontuação dos cursos gira em torno da produção de pesquisas.

Por muitas vezes, a profissão de designer acaba por inibir a prática da leitura e escrita em prol da técnica e da criação. Porém, a publicação de artigos em periódicos e eventos científicos pode dar um “up” em qualquer currículo. Algumas empresas valorizam este tipo de iniciativa que acaba se tornando um diferencial competitivo para o designer. Isso demonstra que o candidato à vaga dedica um pouco do seu tempo para disseminar informação e aprender algo novo, aprimorando seus conhecimentos sobre sua profissão. Em alguns casos, isso torna-se um ponto forte, pois a tendência das empresas é trabalhar cada vez mais o diferencial e a qualidade de seus produtos e serviços, inovando através da pesquisa.

Pesquisa e Desenvolvimento em grandes empresas

Empresas renomadas como Kraft Foods, Heineken, Samsung e 3M já oferecem trainees e contratações na área de Pesquisa e Desenvolvimento, demonstrando a valorização e o crescimento desta área.

Foi pensando nisso que decidi escrever este post. Inicialmente vou pincelar sobre as principais etapas para escrever um artigo. Depois vou falar sobre os meios de publicação. Ao final sugiro alguns eventos e periódicos para submissão do artigo escrito. Lembrando que é sempre importante considerar que cada disciplina do conhecimento possui um modo diferente de desenvolver seus artigos e que cada evento ou periódico realiza avaliações em níveis de exigência distintos.

 

Iniciando: Referencial Teórico

Inicialmente, para escrever um artigo precisamos dominar o assunto no qual vamos falar e ter uma boa lista de referências bibliográficas para embasá-lo. Uma dica é utilizar o tema do seu TCC, já que você passou, no mínimo, 6 meses estudando e trabalhando em cima dele. É importante utilizar outros artigos científicos como base bibliográfica, aumentando as chances da aceitação para publicação. Existe o site do SciElo (Scientific Electronic Library Online), uma plataforma na qual são encontrados uma grande variedade de revistas e artigos científicos relacionado à diversos temas e áreas. Esta plataforma e o Google Acadêmico são bases boas para iniciar uma pesquisa de bibliografia. Revistas e livros também são boas opções para o referencial. Existem alguns sites que você pode baixar livros gratuitos pela internet, um exemplo disso é a Biblioteca Digital Camões e o Portal Domínio Público. Dica: Procure sempre por fontes confiáveis e evite usar “apud”.

 

Desenvolvendo: Escrevendo o texto, ilustrando com imagens

O texto deve ter introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, seja direto e justifique suas escolhas e exponha suas motivações. Explique apenas o que irá ocorrer e o método utilizado para alcançar seus objetivos. É interessante propor uma questão-problema para demonstrar sua solução ao longo do artigo. Esta questão deve estar diretamente ligada ao seu objetivo. Exemplo: Problema – Como os usuários utilizam o transporte público da cidade de Curitiba? Objetivo: Avaliar a forma que os usuários utilizam o transporte público de Curitiba.

Introdução de artigo

Entendendo bem como escrever a introdução, agora passamos para o desenvolvimento do artigo. Escreva em linguagem simples, mas com os termos adequados. Descreva os principais temas da área de estudo, sempre referenciando a literatura estudada. Coloque no texto apenas informações que justifiquem seu estudo ou que serão utilizadas posteriormente nas análises e resultados.

No Design, existem publicações que exigem o máximo de 10 páginas. Outras 20. Varia de acordo com o corpo editorial de cada um. Portanto, ao escrever o texto, não coloque TUDO o que você achar interessante: é necessário saber filtrar as informações mais relevantes para aquela publicação. Se você escrever demais pode tornar a leitura cansativa e pode ultrapassar o limite de páginas definidos pelas instituições responsáveis.

No desenvolvimento do seu artigo é importante planejar qual a melhor técnica de coleta e tratamento dos dados. Evite escrever textos que possuam apenas uma compilação de ideias de diferentes autores. Estes artigos, também chamados de Estudos Bibliográficos, não são muito aceitos por periódicos por se tratar apenas de um levantamento de teorias e não de um experimento. Faça um estudo de campo com entrevistas, questionários ou observações. Tire fotografias, faça vídeos, simule ambientes…

Um dos maiores problemas de escrever artigos pode estar no tratamento dos dados coletados. Muitas vezes nos deparamos com um excesso de informações nas quais não sabemos o que fazer com elas. Para tratar os resultados, exponha-os da maneira mais visual possível. Crie esquemas, quadros, infográficos, etc., e ilustre as tendências de respostas ou utilize percentual de erros e acertos. Dois bons livros que podem auxiliar nestes aspectos metodológicos é o “Como Elaborar Projetos de Pesquisa” e “Métodos e Técnicas de Pesquisa Social” ambos de Antônio Carlos Gil.

Livros de Métodos de Pesquisa

Finalizando: As conclusões e Considerações Finais

Ao finalizar seu texto aponte as principais conclusões identificadas ao longo do estudo. Traga ideias de melhorias para o objeto trabalhado. Indique futuros estudos e desdobramentos de seu artigo, abrindo portas para novas pesquisas. Justifique se os objetivos foram alcançados e explique como. Para auxiliá-los, deixo este texto de Mirella Moro que também explica como elaborar artigos.

Além de todas estas considerações, não esqueça que a maioria dos eventos/periódicos exigem um resumo (aproximadamente 200 palavras) e uma lista de palavras chaves (entre 3 a 5 palavras). Alguns também pedem estes dois itens em inglês.

Resumo e Palavras-chave

Mas e agora? Para onde enviar? Depois de finalizar o artigo vamos em busca de um meio de publicação. Às vezes o processo é ao inverso, no qual iniciamos o artigo já sabendo para onde enviar, assim já seguimos as diretrizes corretas e adequamos a proposta deste periódico. No entanto, quando temos um artigo pronto e não sabemos para onde enviar, precisamos ir atrás de qual tipo de publicação se adapta melhor à nossa proposta de estudo. Para isso temos duas principais opções: Eventos e Periódicos.

Para publicar artigos em eventos você precisa se inscrever e participar deste evento (independente dele ser no Japão) senão, o artigo não será exposto nos Anais do Congresso. Já os periódicos não. Você entra em contato com os responsáveis, submete seu artigo formatado de acordo com as diretrizes e envia (cada evento/periódico apresenta diretrizes próprias de formatação de artigo, geralmente encontrada no site da submissão). Em algumas semanas (ou meses) você recebe o resultado. Alguns periódicos possuem datas limite para submissão, portanto, é preciso acompanhar os prazos nos sites de cada um deles.

Geralmente quem corrigem os artigos em periódicos já fazem parte do corpo editorial da revista. Em eventos são convidados alguns colaboradores da área que irão corrigir e aceitar ou não o seu artigo. Ao escolher entre um e outro leve em consideração o tema do seu artigo e também a validade do periódico ou evento. Os eventos possuem pontuação menor do que periódicos em seu currículo Lattes, pois cada um apresenta uma classificação determinada pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

  • Periódicos mais conhecidos da área do design e sua classificação segundo a Capes (Qualis A e B):
    • A1: Applied Ergonomics, Design Studies, Journal of Design Research e Ergonomics (London. Print).
    • A2: Design Philosophy Papers, Environmental Management e International Journal of Industrial Ergonomics.
    • B1: Ambiente Construído, Diálogos de la Comunicación, Educação Gráfica (UNESP. Bauru), Estudos em Design, Gestão & Produção, Harvard Design Magazine e Materials & Design.
    • B2: Desígnio, Gestão & Tecnologia de Projetos, Infodesign (SBDI) e Significação: Revista de Cultura Audiovisual.
    • B3: Revista Gestão & Tecnologia, Revista Produção Online, Revista USP, Strategic Design Research Journal.

Neste link é possível visualizar outros periódicos da área (e também da arquitetura e urbanismo) que podem ser interessantes para publicações.

Os eventos em Design mais conhecidos no Brasil (principalmente na região sul do país) normalmente possuem periodicidade de dois em dois anos. São eles:

  • CIDI/CONGIC – Congresso Internacional de Design da Informação;
  • P&D – Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design;
  • ERGODESIGN/USIHC – Congresso Internacional de Ergonomia e Sistemas de Interação Humano-Computador;
  • IDEMI – Conferência Internacional de Design, Engenharia e Gestão para Inovação;
  • SBDS – Simpósio Brasileiro de Design Sustentável;
  • SBGames – Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital.

Após a publicação, não esqueça de atualizar o seu currículo da Plataforma Lattes.

Página inicial da página da Plataforma Lattes

Com certeza, escrever artigos vai muito além do que se viu aqui. É uma prática que deve ser aperfeiçoada com o tempo e que exige dedicação e muito estudo. No entanto, é importante que nós designers tenhamos em mente que esta atividade é bastante escassa na nossa profissão e que depende da gente disseminar e compartilhar os nossos conhecimentos.

Maia Amanda

Maia Amanda

Atualmente trabalha na Vitao Alimentos como responsável pelo setor de Design e Marketing. Mestre em Design da Informação (UFPR/2013) e formada em Design Visual (ESPM/2010). Intercambista em Lisboa e nos EUA. Em suas experiências,descobriu a paixão pelo estudo da informação e do design aplicado ao transporte público. Mobiliário Urbano, Representação de Mapas, Design Inclusivo, Daltonismo e Estudo da Cor também foram paixões descobertas. Além disso, ama fotografia, cores, viagens, design, grêmio, embalagem e música.

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