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Qual é o tema?

Por Gui Santos

Os jogos não são normalmente lembrados pela sua história ou narrativa. Frequentemente, as pessoas associam esses aspectos à literatura ou ao cinema, mas não aos jogos.

É verdade que muitos video games contribuem para essa “fama”. Mesmo assim, há vários bons exemplos de jogos com temas interessantes que alcançam certo sucesso.

A base de uma boa narrativa de um jogo é o seu tema. É ele que irá unir todos os elementos do game sob um aspecto único, tornando a experiência do jogador mais concreta e envolvente.

O tema é uma ideia e, para que essa ideia funcione, o designer precisa trabalhar em vários elementos sempre focando o tema de alguma maneira.

“A principal vantagem de basear seu design em um tema simples é que todos os elementos do jogo irão se reforçar mutuamente” – Jesse Schell

Alguns dos elementos que podem ser trabalhados são:

Arte

É possível desenvolver um estilo para os gráficos do jogo que seja bastante associado ao tema. Isso é muito comum quando se aborda algum tipo de cultura específica.

Referências astecas e mexicanas por toda parte.

Referências astecas e mexicanas por toda parte.

Som

Muitas vezes esquecido injustamente pelos jogadores, o som é essencial para se criar a melhor atmosfera possível ao redor do tema do jogo. Se você não acredita em mim, tente jogar qualquer coisa no “mute”!

A trilha sonora consegue criar o cenário do jogo e nos provocar emoções típicas das situações que estaremos experimentando no game. Mas não é apenas a música que contribui nesses aspectos; os sons ambientes são indispensáveis, pois são eles que nos farão acreditar no cenário.

Apesar de ter uma trilha sonora um pouco repetitiva, o piano de fundo do jogo cria a ambientação exata que um jogo de stealth precisa. Além disso, o sound design preenche muito bem o cenário sem deixar a desejar.

Mecânica

A mecânica do jogo é, de certa forma, limitada pela tecnologia usada no game. Ainda assim, o designer pode explorar uma mecânica que intensifique algo no tema do jogo e melhore a experiência do jogador.

Nesse aspecto, alguns consoles trouxeram os controles por movimento que possibilitam mais inovação nesse setor. Porém, alguns jogos tentam imitar tanto a vida real que às vezes se tornam chatos ou bem piores que a experiência que tentam simular. Logo, é preciso investir na mecânica com cuidado para não tornar o jogo incoerente.

Como exemplo podemos citar novamente o jogo guacamelee. Sem muita complicação, ele criou sequências de golpes cujos movimentos no joystick são simples, mas se assemelham muito com o que o jogador vê na tela. Além disso, os golpes são todos inspirados em movimentos de “Lucha Libre” que é um dos aspectos do tema do jogo.

Essas são algumas maneiras de se explorar melhor a narrativa de um jogo. Vale lembrar que os temas são conceitos que irão permear toda a experiência do jogador. Sendo assim, os temas que conseguem ser mais bem sucedidos em seu propósito são aqueles que possuem uma maior identificação com o público. É bom ter isso em mente no momento do projeto.

Gui Santos

Gui Santos

Um quase ex-aluno do Design da UTFPR, agora vai! Leva jogos a sério demais e acha que Han Solo atirou primeiro.

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