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Do papelão para o pixel

Por Gui Santos

Aqui nessa coluna normalmente falamos de video games. Mas não podemos esquecer que antes do mundo digital os jogos aconteciam, entre outras maneiras, através dos jogos de tabuleiro. Por isso os video games tiveram como inspiração esses jogos que já existiam.

Com o passar do tempo os video games foram construindo uma maneira própria, mas ainda hoje existem games que procuram nos seus parentes de papelão ideias para atrair novos jogadores e manter os fãs mais tradicionais.

O uso desses conceitos em video games pode trazer vantagens e desvantagens para a experiência de jogo. Vejamos a seguir…

Vantagem ( “Go Up a Level” )

Multiplayer

Algo bem característico de jogos de tabuleiro é que eles promovem a interação entre os jogadores. A maioria dos jogos de tabuleiros é uma experiência em grupo (seja competitiva ou cooperativa).

Alguns games conseguiram importar essa característica para o meio eletrônico. Um exemplo clássico é a série Mario Party, praticamente traduzindo um jogo de tabuleiro para o console com consideravel mérito. Contudo, ele também criou algumas desavenças entre amigos, mas vamos deixar as “desvantagens” para depois…

Quem nunca virou a noite com os amigos na frente do N64?

Regras e suas exceções

Outra vantagem que podemos citar é bem comum nos cardgames: a formulação de regras claras e objetivas. O benefício de se utilizar esse tipo de regras é a possibilidade de serem criadas exceções que tornam o jogo mais rico e divertido. O cardgame Magic: The Gathering se baseia praticamente nesse conceito, já que para cada regra do jogo podem existir várias cartas que quebram essa mesma regra. Isso possibilita uma infinidade de estratégias para o jogador.

Esse modelo é replicado em vários video games, como por exemplo Binding of Isaac.

O jogo possui vários itens que mudam as regras para beneficio do jogador… ou não

Desvantagens ( “Lose a Level” )

Muita sorte e pouco controle

Talvez uma das maiores frustrações para um jogador é sua habilidade não ser levada em consideração, isto é, “perder por azar”.

Vamos compensar os elogias feitos ao Mario Party que, apesar de ser um bom jogo, causa um sentimento nos jogadores de que eles não possuem o controle do que acontece em uma partida. Nem sempre o jogador que vence é o merecedor; às vezes os critérios do game para eleger um ganhador são muito aleatórios.

Tudo se resolve em uma jogada de dados no Mario Party

“Manha”

Apesar de ser muito legal descobrir uma “manha” em um jogo, há o risco de o game perder a graça ao longo do tempo. Às vezes, ao se criar um sistema de regras muito grande, criasse também alguns meios eficientes de se vencer o jogo. Depois de jogarem o game por certo tempo, alguns jogadores descobrem estratégias invenciveis e por isso o jogo não oferece nenhum desafio para eles.

Um caso em que isso acontece é no Civilization, no qual o jogador já sabe que precisa adquirir uma sequência especifica de tecnologias para garantir sua hegemonia logo no início do jogo.

Quem descobre o ferro e o cavalo primeiro, ganha!

O mais importante aqui é salientar que nenhuma dessas características é ruim ou não deve ser usada nos jogos. O problema parece ser quando o jogo não cumpre a sua promessa. Por exemplo, quando o objetivo do jogo é que o jogador venca através de seu raciocinio e estratégia, espera-se que isso aconteça. Mas se no fim quem vence é aquele que descobre a “manha” primeiro, a promessa não se cumpre e com o tempo priva-se o jogador do sentimento de realização.

Gui Santos

Gui Santos

Um quase ex-aluno do Design da UTFPR, agora vai! Leva jogos a sério demais e acha que Han Solo atirou primeiro.

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