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O homem dos anos 2010 – Parte III (Final)

Por Henrique Cabral

Uma análise dos desfiles masculinos internacionais para o Inverno 2013 e sua leitura comportamental.

 

O perfil do homem dos anos 2010 se encontra em formação. Mas não nos importa neste momento pensar nos conceitos futuros sobre nós, já que é no presente que se encontra toda realidade.

Sabendo que a moda é comunicação, e esta se baseia nos movimentos e anseios da sociedade, podemos perceber nesta temporada o número crescente de marcas que apostaram na quebra dos paradigmas e convencões da moda masculina.

Se antes citávamos apenas João Pimenta e Rick Owens neste rol de designers progressitas, o Inverno 2013 veio carregado de grandes nomes da moda internacional. Apostando nos novos consumidores mais antenados e mais desencanados com o que a sociedade prega como padrão.

 

Formas:

Uma série de formas inusitadas são vistas nas passarelas internacionais (Nova Iorque, Paris, Milão…). O corpo masculino não mais limitado às peças convencionais: camisas, camisetas, calças, bermudas, blazers, casaco). Estas se reconhecíveis, possuem sua estrutura modificada, alogada, assimétrica.

Formas inusitadas

Nesse tema das formas, podemos verificar que existem duas grandes tendências. Uma maxi forma e outra slim.

Over Coats, maxicasacos, túnicas:

maxi formas

Enquanto uma mostra peças com comprimentos e proporções enormes, lembrando túnicas, ridding coats e surcoats antigos, outra define o corpo, marca sua cintura ou enuncia as pernas.

Slim fit

Esta moda slim fit (mais colada ao corpo) é um padrão adotado desde o surgimento dos metrosexuais. Mas quando a forma vem aliada à estampas e cores incomuns para o guarda-roupas masculino, isto nos lembra a questão de quebra de paradigmas.

(Quantas vezes no último ano você viu o vídeo da menina que questiona porque rosa é para meninas e azul é para os meninos?)

Cores e estampas

Além disto, muito do que se viu nas passarelas reforça a tendência de investir contra os limites de gênero na moda. A estética andrógina, natural ou criada a partir da indumentária vêm a cada dia se tornando mais comum. Isso mostra uma evolução da sociedade no que se refere à compreensão da independência entre “caráter e a forma de se vestir” de um indivíduo. (Afinal de contas a maior parte dos criminosos de colarinho branco, no Brasil e no mundo, usam terno e gravata!)

Androginia

Neste sentido embora diversos Designers tenham o mesmo feeling nas últimas coleções (desde 2010), quem têm feito isto com qualidade conceitual e estética primorosa é Yohji Yamamoto.

Com um mix perfeito entre conceito e técnica, discurso político e arte a Coleção Inverno 2013 de Yohji, foi inteiramente voltada para a discussão deste novo homem.

Vestindo homens másculos, com barbas e bigodes pomposos e absolutamente respeitáveis, Yohji mostra que os limites que impomos à moda masculina chegou ao fim! (?)

Nem tudo aquilo que vemos em passarelas chega ás ruas imediatamente, mas os desfiles são um reflexo dos anseios e desjos da sociedade, seja em forma de produto ou debate.

O que podemos verificar nessa série de análise sobre o Homem dos Anos 2010 é que este vem passando por um momento único de transformação. O papel do Designer aqui é portanto, o de um intérprete, que sabe interpretar estes desejos e anseios e os transforma em calças, camisas, camisetas, saias, com as quais o indivíduo pode sair às ruas e dizer o que pensa.

São poucos tais espíritos livres, com esta coragem. Mas se o Yohji aposta neles, quem duvidará?

Yohji Yamamoto

Yohji Yamamoto

Henrique Cabral

Henrique Cabral

Produtor Executivo e Gráfico de Moda tendo produzido campanhas no Brasil e no Exterior. Acredita que o vestuário é uma das das formas de comunicação não verbal mais fortes da sociedade.

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