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Luigi Colani

Por Rob Batista

Luigi (Lutz) Colani, aos mais de 80 anos, é um dos mais influentes nomes do design e, com mais de 6.000 obras, já projetou canetas esferográficas, navios voadores e trens espaciais, entre vários outros projetos. Já passaram por sua lista de clientes empresas como Rosenthal, Canon, Poggenpohl, Fiat, Dior, Boeing, além de ter trabalhado em projetos megalomaníacos e fantásticos para União Soviética e Japan Air Lines, e trabalhar (até hoje) com a NASA em alguns projetos especiais. Colani é, mais do que tudo, conhecido mundialmente por “fundar” o Biodesign, que, de certa forma, é uma adaptação dos conceitos de Biomimética ao design.

De origem ítalo-alemã, desde criança ele era obrigado a “fabricar” suas próprias coisas. Seus pais não lhe davam brinquedos e quando o faziam lhe davam pela metade, como um cavalinho sem pernas que ganhou de presente aos três anos de idade e foi orientado a observar um cavalo de verdade para saber como se movia e como funcionavam suas pernas, para criar, na oficina de seu pai, as pernas que faltavam ao brinquedo. Na França, estudou aerodinâmica, o que marcaria para sempre todo o seu trabalho e inspiraria projetos fantásticos que mais se parecem com aves e animais marinhos gigantes.

Biodesign

Colani sempre defendeu a natureza como um farol para orientar o seu trabalho, e o curvo, o redondo, o orgânico, vão sempre se manifestar para dar corpo à esse método. E apesar de todo o estudo empregado em seus projetos e inspirados na natureza, penso que a estética é o que mais impressiona, uma vez que muitos projetos que conhecemos com essa metodologia nem sempre conseguem reproduzir as formas encontradas na natureza, apenas sua estrutura funcional, ou podemos também entender que a funcionalidade dos projetos de Luigi Colani advém muito mais da forma do que dessa estrutura.

A natureza ainda é o melhor designer que conheço […] Apenas olhe para um ovo. A sua casca não é uma coisa fantástica?

Sua ideia de biodesign evoca a essência do projeto que existe na natureza, a noção de que a própria natureza, nos elementos que a constitui, molda e transforma a si mesma de acordo com suas necessidades. As coisas, na natureza, se projetam e são projetadas. E, segundo Colani, o que ele faz é traduzir esse modo como a natureza funciona no seu design.

Veículo de luxo eleMMent

Câmeras Canon “Super C-Bio” e “TT9”

Ekroplano Leda, “navio voador” (ou “de efeito solo”) em forma de cisne com asas abertas. URSS, 1983.

Câmeras ZEISS. 2007

Locomotiva a vapor para a Sibéria, URSS. 1979

Outro “navio voador” em formato de tubarão. EUA, 1978

O Deus da Ásia e seus demônios

Apesar de sua filosofia apontar brilhantemente para o futuro por ter como selo uma metodologia que se baseia no original da vida, segundo reportagem da Deutsch Welle cerca de 70% de seus projetos jamais foram concluidos. Além disso, recebe críticas de todas as partes por sua suposta arrogância em relação aos colegas de profissão. Mas isso parece não incomodar o designer, que atribui os fatos à ignorância por parte dos “grosseirões bitolados”, “funcionários do design” ou “executivos de topete”. O jornal alemão Süddeutsche Zeitung vai mais além e diz que ele é o “maior poser da história do design”, já que “após serem lançados como sensação, seus produtos não servem para produção em série”.

Luigi Colani

É bem verdade que Luigi Colani é um idólatra de si mesmo. Isso fica claro quando ele se vangloria por ser “adorado como um deus na Ásia”, ou quando afirma que sem ele a Europa “cairia na escuridão”. Mas deve-se reconhecer também a coragem de quem, nas áreas que se fundamentam em qualquer tipo de projeto, tenta ousar, pensar fora da caixa ou até reconstruir a caixa com base em outras metodologias. Se o mundo (e, particularmente, seus clientes) fossem ousados como ele, talvez nós tivéssemos experiências bastante diferentes das que temos, considerando tudo o que existe em nossas vidas e que nos acompanha todos os dias.

Luigi Colani é mais um dos Designers que deveria conhecer.

Referências:

Rob Batista

Rob Batista

Rob Batista, aka Robin Hood, é paulista e estudante de Design Digital pela Universidade Anhembi Morumbi. Se encontra (e se perde) em Artes Visuais, Antropologia, Filosofia, Ficção Científica, entre outras coisas, e vê no design o poder de (des)construir o mundo. Suas pesquisas, observações e toda a bobagem que fala são muito menos o desejo de explicar e muito mais a tentativa de entender.

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