Fiat 500

Um novo produto: com design

Por Diego Silvério

Se você não assiste TV, provavelmente não viu ainda. Mas se você, às vezes, como quem não quer nada (e na maioria das vezes não quer nada mesmo), assiste os canais da TV aberta, provavelmente viu a propaganda do lançamento do novo Fiat 500. A minha intenção aqui não é falar sobre o carro, não entendo bugalhos pra poder dizer se ele é melhor ou não do que outros da sua categoria. O que mais me chamou a atenção foi a mensagem da propaganda da Fiat. Se você não viu ainda, dá uma “espiadinha” abaixo:

Sob a assinatura “Novo Fiat Cinquecento 2014. Nenhum outro é tão completo e tem tanto design”, os profissionais das agências Leo Burnett Tailor Made e AgênciaClick Isobar evidenciam nos 30″ da propaganda, o design como maior atributo de diferenciação do Fiat 500. Ao procurar um pouco mais sobre a propaganda em si, encontrei um artigo pequeno no site Comercial na TV expondo que a intenção dos publicitários foi mostrar o carro em lugares inusitados e de certa forma “feios”, porém com um valor agregado maior através do design do novo carro. Se olharmos para a mensagem da propaganda e para a assinatura, o design do carro se torna um forte diferencial, agregando um valor maior além de todos os adicionais de fábrica. Para quem trabalha com design e sabe o quão difícil é tornar este um argumento de venda expressivo, só o fato da montadora vender a estética como principal argumento já é um enorme avanço.

A abordagem da Fiat me chamou mais a atenção quando, em letras miúdas, a propaganda descreve todos os atributos técnicos, de segurança ou performance do carro, sendo que o locutor em nenhum momento cita esses atributos. Durante toda a propaganda, somente design é evidenciado. Em uma busca rápida, encontrei outro carro que teve uma abordagem similar: o Kia Soul.  Porém, diferente da Fiat, a Kia reforça outros atributos de uso ou técnicos durante a propaganda junto ao design. Apesar de considerado uma referência de carro popular com design diferenciado na época, ainda assim não foi tão evidenciado quanto no Fiat 500, mesmo reforçando no final que o Soul é o carro design.

Esse tipo de abordagem da publicidade pode abrir espaço para que outras categorias de produtos usem o design como um forte argumento de venda para o público. Independente do público-alvo ou do valor agregado, o design cada vez mais é reconhecido como um diferencial de mercado a ponto de ser divulgado no mesmo nível ou até mais do que outros atributos. É claro que o design por si só não é suficiente, necessita de performance, PDV, assistência técnica, atendimento, entre diversos outros fatores que influenciam na decisão de compra. Não sei qual é a situação de outros mercados externos, porém acredito que, aos poucos, o público brasileiro começa a reconhecer e valorizar atributos estéticos dos produtos. Essa valorização pode tornar o design como ferramenta poderosa de diferenciação e vendas para as empresas, basta nós profissionais aproveitarmos esse novo espaço junto com outras áreas.

Além da Kia e da Fiat, você conhece outro caso? Compartilhe aí!

Diego Silvério

Diego Silvério

Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), vencedor de prêmios nacionais e internacionais e já desenvolveu projetos para a Intelbrás, Linde, Tigre, Nokia e HSBC. Hoje é designer da Whirlpool e se aventura dentro das áreas de negócios, estratégia e economia.

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