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A Imagem da Cidade

Por Maia Amanda

Inicio o post de hoje com uma frase que me chamou a atenção no texto de Wesley Pinto no Design & Chimarrão: Temos importantes eventos chegando e comentam de tudo, menos de design. Como estão nossas sinalizações? Acessibilidade para deficientes? Comunicação em postos de saúde e hospitais?

Pois bem, alguém tem as respostas para estas perguntas? Não temos! E vamos continuar sem ter. Muito porque o governo está mais disposto em terminar os espetaculares estádios para a Copa de 2014 do que proporcionar às pessoas uma boa estrutura de transporte público (afinal, a galera gringa é rica, então eles podem torrar seus dólares, euros, rublos, etc., em táxis tranquilamente…).

No entanto, qual a imagem que você acha que a sua cidade vai transmitir para os estrangeiros? Uma cidade segura? Uma cidade cara? Uma cidade feia?

Como alguns já devem saber, eu sou gaúcha, de Uruguaiana, e morei 5 anos em Porto Alegre. Esse é um dos motivos que me faz admirar cada dia mais a cidade de Curitiba, onde moro atualmente. Porto Alegre é bagunçada, suja e mal cuidada. Veja bem, um gaúcho colocando a realidade de sua capital é raro de se ver, já que somos bairristas ao extremo. Pois bem, se você for visitar a capital gaúcha irá se deparar com lixo no chão, pichações nas paredes, principalmente nos prédios mais altos da cidade (não me perguntem como eles fazem isso), obras abandonadas e sujas, ruas sem meio fio, e por aí vai.

OBS..: Veja bem, eu não estou afirmando que isto é uma característica exclusiva de Porto Alegre. Sei bem que outras cidades, principalmente as capitais, também apresentam características similares ou piores do que a realidade de POA, no entanto, eu ilustro com este exemplo pois sei descrever bem as características de lá).

Porto Alegre

Porto Alegre

Em contraponto a isto, você chega em Curitiba e se depara com flores muito coloridas e bem cuidadas. Parques e praças sem nenhum papelzinho sequer no chão. Policiais em todas as esquinas. Canaletas exclusivas para ônibus biarticulados. Avenidas principais, também chamadas de “rápidas” que fazem o trânsito fluir entre o centro e os bairros (ok, aqui também temos engarrafamento!). Agora pare e pense: qual destas duas cidades será a mais agradável de se conhecer?

Curitiba

Curitiba

Mas, obviamente, a cidade não se resume apenas ao transporte, praças, parques e flores. Uma boa imagem ambiental deve oferecer ao seu observador uma sensação de segurança. Em tese, um indivíduo deve conseguir se deslocar sem grandes dificuldades dentro do ambiente urbano de forma segura e cômoda.

“Potencialmente, a cidade é em si o símbolo poderoso de uma sociedade complexa. Se bem organizada em termos visuais, ela também pode ter um forte significado expressivo” (LYNCH, 2010)

Mas como tornar a imagem na cidade agradável? Uma dica é utilizar a regra básica da repetição. Por exemplo, dentro de um shopping conseguimos identificar de longe o símbolo da composição da cor vermelha e o “R” de Renner. Da mesma maneira que um nova iorquino consegue reconhecer uma cafeteria a mais de uma quadra de distância. A forma deve ser utilizada para reforçar o significado. Outra maneira é buscar se basear em pontos de referências, o que facilita a compreensão e o deslocamento de indivíduos, principalmente para aqueles não habitantes.

Pontos de referência

Pontos de referência

Para compreendermos os aspectos que podem acarretar em uma imagem positiva ou negativa de uma cidade, eu trouxe para vocês os 5 elementos estruturais que constituem o ambiente urbano, determinado por Kevin Lynch em seu livro “A Imagem da Cidade”.

  • Vias: canais de circulação no qual os indivíduos transitam, geralmente representados por ruas, canais, linhas de trânsito, calçadas, ferrovias, etc. Para a maioria dos observadores estes elementos são os mais marcantes em uma cidade.
  • Limites: são limites entre espaços dentro do ambiente urbano. Podem ser fronteiras, margens, praias, lagos, construções, etc. Também podem ser barreiras que separam uma região da outra.
  • Bairros: regiões médias e grandes de uma cidade, caracterizada por suas extensões bidimensionais. Segundo Lynch, “o observador penetra mentalmente e eles são reconhecíveis por possuírem características comuns que os identificam”.
  • Pontos Nodais: são pontos estratégicos onde apresenta focos intensivos, que determinam e auxiliam na locomoção dos indivíduos. São os chamados “pontos de decisão” e podem ser junções, cruzamentos, bifurcações e convergências. É o momento de passagem de uma estrutura para outra.
  • Marcos: são os pontos de referência externos em uma cidade. São locais nos quais as pessoas não podemos entrar, apenas observar. São elementos físicos que servem para localização e que nem sempre estão ali para este motivo. Alguns são distantes, como uma montanha. Outros são próximos, como um obelisco. Um sinal, uma torre, um ponto turístico.
Elementos que compõem uma cidade

Elementos que compõem uma cidade

Nenhum dos elementos citados anteriormente existe de forma isolada. Isso significa que eles não são excludentes. Um bairro é composto por pontos nodais, definido por limites e estruturado por vias, com a presença de marcos. Outro exemplo é que uma rua pode ser considerada uma via, um limite e um marco ao mesmo tempo.

 

Referências:

LYNCH, Kevin. A Imagem da Cidade. 2010.

Maia Amanda

Maia Amanda

Atualmente trabalha na Vitao Alimentos como responsável pelo setor de Design e Marketing. Mestre em Design da Informação (UFPR/2013) e formada em Design Visual (ESPM/2010). Intercambista em Lisboa e nos EUA. Em suas experiências,descobriu a paixão pelo estudo da informação e do design aplicado ao transporte público. Mobiliário Urbano, Representação de Mapas, Design Inclusivo, Daltonismo e Estudo da Cor também foram paixões descobertas. Além disso, ama fotografia, cores, viagens, design, grêmio, embalagem e música.

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