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Os três níveis de design, parte 3: o design reflexivo

Por Mauro Adriano Müller

O design reflexivo cobre um campo muito amplo: ele diz respeito ao significado de um produto ou de seu uso, à cultura e à mensagem que aquele produto quer transmitir. O design reflexivo abrange não apenas o significado das coisas, dos objetos, ou as lembranças que algum produto evoca, mas também diz respeito à própria imagem que a pessoa transmite  ao utilizar um produto, assim como a mensagem que nossos produtos enviam para as outras pessoas.Quando nós, consumidores, deixamos de comprar alguma coisa porque “não consideramos adequado”, ou quando compramos um determinado produto para apoiar uma  ”boa causa”, estamos tomando decisões de nível reflexivo.

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É do nível reflexivo do design que vem a beleza. Já a atratividade, que está inteiramente ligada ao aspecto superficial do objeto, vem do nível visceral. A beleza é mais profunda: ela examina e explora o que existe por baixo da superfície. Ela é influenciada pelo conhecimento e pela cultura do consumidor. De certa forma, um produto pode não ser atraente, mas pode dar prazer. Donald Norman, em seu livro “Design Emocional – Por que adoramos (ou detestamos) os objetos do dia-a-dia”, dá seus exemplos: uma música dissonante pode ser bonita, uma obra de arte feia pode ser bonita. Tudo isso são convenções, não existe nada de prático, nada de biológico nessas considerações, mas a cultura, as experiências, o grau de instrução e as diferenças individuais têm uma grande influência aqui. A essência do design reflexivo está na mente do observador.

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Todas essas decisões de nível reflexivo geralmente determinam a impressão global que nós temos de um produto. Alguns produtos presentes no mercado preferem apelar para o design visceral – carros “sensuais” ou de aspecto potente, garrafas e frascos sedutores de bebidas e perfumes são exemplos clássicos disso. Essa “impressão global” representa todo o apelo e a experiência de uso do objeto. Prestígio, percepção de raridade e de exclusividade estão no nível reflexivo.

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Por fim, o relacionamento com os clientes também desempenha um papel muito importante no design reflexivo. Uma empresa que se dedica e se esforça para dar suporte ou assistência para seus clientes descontentes pode acabar transformando-os em seus fãs mais leais.  O design reflexivo, nesse caso, diz respeito à experiência de longo prazo do usuário (cliente). Quando o consumidor reflete sobre um produto com o objetivo de decidir o que comprar, ou o que aconselhar seus amigos, uma lembrança reflexiva prazerosa pode superar qualquer outra experiência negativa que tenha acontecido anteriormente.

Já o nível reflexivo é o único realmente consciente. É o cognitivo, que permite que a gente aprenda, use as experiências e raciocine sobre as decisões que tomamos, além de comunicá-las a outros. É o nível mais vulnerável às influências externas como a cultura, a experiência, o grau de instrução e as diferenças individuais, podendo, inclusive, anular os outros. Isso explica porque alguns de nós conseguem sentir prazer com situações de medo (esportes radicais) e desdenham abertamente o que é visceral, comum, com forte apelo popular.

– Lígia Fascioni

 

Referências

Mauro Adriano Müller

Mauro Adriano Müller

Gaúcho, 24 anos, estudante de Design na Universidade Feevale/RS. Acredita que o Design pode (e deve) mudar o pensamento das pessoas sobre o mundo e sobre as muitas coisas que existem nele.

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