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Quando a Moda vira Arte (ou vice-versa) Parte I

Por Henrique Cabral

A personalidade começa quando a comparação termina!

Karl Lagerfeld

 

Mais do que revolver assunto antigo, minha intenção aqui é discutir com vocês os conceitos de Moda, Arte e Cultura. Porque não se julga nada nem ninguém sem conhecimento de causa. Correto?

Moda: Do francês mode, do latim modu. 1 – A maneira, o modo com as pessoas vivem. 2 – Uso passageiro que rege, de acordo com o gosto do momento, a maneira de viver, de vestir.

Arte: 1 – Aptidão ou habilidade para fazer alguma coisa. 2 – Atividade considerada como um conjunto de regras a observar. 3 – Conjunto de obras artísticas de uma época ou de um país. 4 – Maneira de manifestar um senso estético. 5 – Bom-gosto. 6 – Conjunto de disciplinas artísticas, notadamente aquelas que são consagradas à beleza ou à expressividade de linhas, formas ou cores. 7 – Artimanha. 8 – Travessura; traquinagem.

Cultura: 1 – É o conjunto de características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou aprimoram através da comunicação e cooperação entre indivíduos em sociedade. 2 – Conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização. Na posse destas informações, agora fica mais fácil compreendermos os diferentes conceitos que a Moda enquanto manifestação da criatividade humana e expressão desta pode abranger num dado momento. Porque a importância que a Moda possui em seu sentido último, é sim momentâneo.

Na minha opinião, considerar moda como Arte é um exagero linguístico que se faz quando o trabalho de algum criador nos causa um grande impacto, quase como uma hipérbole.

A maior parte das pessoas reconhece que Moda, diferente de Arte, resulta em produtos, não em obras. No entanto não desqualifico trabalhos em que ocorram fusões tão intensas de ambas, que quase resultem num híbrido. Isto porque uma pode se servir da outra, mantendo ainda sua individualidade.

Desde que a vestimenta passou a ter valor de expressão, tornando-se um dos mais importantes veículos de comunicação não-verbal na sociedade humana, moda e arte se misturam e complementam-se mutuamente.Quer seja pelas características estéticas, pela manufatura personalizada ou pela arquitetura técnica envolvida no processo de criação, a arte sempre está presente no desenvolvimento dos produtos de moda.

Da mesma forma, como contar a história da humanidade sem passar pela análise minuciosa dos costumes e hábitos de se vestir de períodos e povos ao redor do mundo? Muitas vezes a única maneira de se descobrir a idade de um objeto ou obra de arte, uma casa ou até mesmo um esqueleto humano, é buscando informações na indumentária ou vestígios destas no local.

Portanto quando expandimos nossos olhares para o conjunto de fatos que as envolvem, arte e moda atingem o status de Cultura. É nesse ponto que se torna inegável considerar a moda como elemento de grande importância num cenário, local, social ou ideológico. A maioria das pessoas reconhece que criações feitas por designers de moda são produtos que visam um mercado. Mas ignoram o fato de que o “mercado” é resultado de diversos fatores sócio-culturais num determinado momento, e que existem diversas formas de manifestação destes fatores. Música, pinturas, esculturas, e também roupas, maquiagens, penteados.

(última coleção de Alexander Mcqueen – Inspiração Anjos e Demônios – Obras de Hieronymus Bosch)

Lembremos que toda moeda têm dois lados, e que nunca sabemos integralmente de tudo se não analisamos imparcialmente todos os pontos de vista possíveis sobre um assunto. Na maioria das vezes nos tornamos defensores cegos de um único ponto de vista.

Isto tudo não é nenhuma defesa, quer seja da arte quer seja da moda. Têm muita arte por aí que é lixo … têm muita roupa que também é.

Henrique Cabral

Henrique Cabral

Produtor Executivo e Gráfico de Moda tendo produzido campanhas no Brasil e no Exterior. Acredita que o vestuário é uma das das formas de comunicação não verbal mais fortes da sociedade.

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