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Geração X Y Z e suas heranças estéticas na moda – Parte II

Por Henrique Cabral

When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
Aquarius – Hair (1969)


Geração X

Em meados de 1960 quando a cena musical inglesa passou a ser coqueluche mundial e por isso mesmo época apelidada de “invasão britânica”, novas tribos surgiram da efervescência cultural no Reino Unido. A música a cada década passava a ser a voz da juventude e através dela foi que as ideologias alcançavam o maior número de simpatizantes em menor tempo, e sem respeito ao espaço.

Com o desenvolvimento da tecnologia e das comunicações foi a partir dos anos 60 que podemos dizer que se viram os primeiros ensaios do que veio a ser a globalização e a voz dela foi o Rock.


Mods

Jovens abastados de famílias inglesas, geralmente envolvidas com indústrias têxteis e por isso mesmo adoradores de tendências de moda os Mods (contração de Modernismo) eram um grupo claramente oposto aos Teddy Boys.

Enquanto os Teddy eram ultra nacionalistas, gostavam de exultar os valores britânicos, de ouvir rockabilly e eram de origem geralmente humilde, os Mods valorizavam a miscigenação cultural. Foram os primeiros a integrar elementos do soul, jazz e RnB no rock criando um estilo todo próprio. Além disto herdaram dos beatniks o gosto e a curiosidade pela espiritualidade e isto segundo alguns historiadores faz parte até do surgimento e ideologia dos membros da mais famosa banda da história, os Beatles.

Beatles

Beatles

A indumentária Mod no início da TV Preto e Branco era mais sóbria, preta, azul marinho ou cinza de modelagem ajustada. Talvez devido ao desenvolvimento das tecnologias, talvez devido a influência espiritualista das culturas e saberes orientais na Grã-Bretanha esta passou a ser mais viva, brilhante, colorida.

Podemos ver isso no estilo de bandas como The Zombies, e mais tarde o estilo da banda The Who. A mudança do estilo Mod essencialmente britânico para um estilo mais oriental já caracterizava uma mudança de cenário, entrava em declínio o movimento Mod e entrava em cena a Psicodelia.

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The Creation – Beatles – Oasis (Mod anos 90)


Hippies

O rock psicodélico com seu experimentalismo sonoro embalado pelas drogas, principalmente maconha e LSD, foram juntamente com as filosofias orientais os grandes pais do movimento hippie. Herança dos beatniks, os hippies pregaram incessantemente a Paz e o Amor como forma de libertação. Gostavam de astrologia e de ciências exotéricas.

Nos anos 50 já haviam ocorrido diversas manifestações a favor dos direitos civis dos negros, tanto no EUA quanto na Europa, e agora entravam em cena a luta pelos direitos femininos e dos homossexuais.

Embalados por bandas como Beatles, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Os Novos Baianos, Mutantes (no Brasil), estes buscavam viver de maneira mais natural possível, consumindo o mínimo necessário. Por isso as roupas velhas, rasgadas, os cabelos longos e naturais (tanto de homens quanto das mulheres).

A androginia era vista como forma de afronta ao status quo da sociedade, a obrigatoriedade do serviço militar severamente repudiada, uma vez que somente o comportamento pacífico e a insubordinação política eram formas de verdadeira liberdade. Surge a pílula anticoncepcional, mas o amor livre fez nascer uma infinidade de crianças que eram criadas por pequenas comunidades.

Os hippies eram nômades e cooperativistas, o que era de um era de todos … mesmo! Embora no Brasil tenha sido na década de 70 que o movimento hippie expandiu, seu auge foi em 1969 na Califórnia durante o festival de Woodstock.

hippies-hair

Mais que um movimento de contracultura, estético ou musical, os Hippies criaram uma verdadeira filosofia, que pode ser vista até hoje em diferentes partes do mundo com outros nomes, como por exemplo as Rainbow Families, as ecovilas, etc.


Glam

Na onda da psicodelia e as buscas pela liberdade na expressão o Glam pode ser considerado o irmão urbano/concreto do movimento hippie. Tendo se desenvolvido primeiro na Inglaterra na década de 60 e com mais forma nos EUA entre 68 e 73. Do rock puro ao rock melódico passando pelo tropicalismo brasileiro o Glam se caracterizava por uma extrapolação do gênero em detrimento da arte.

No movimento hippie a androginia se baseava na luta por direitos iguais, no Glam ela tinha o sentido apenas de provocação. Brilho, roupas justas, maquiagem e cabelos pintados, incomuns para um homem era uma das formas de crítica. Expoente máximo do Glam Style David Bowie até hoje é lembrado pelo personagem que criou Ziggy Stardust e no Brasil Ney Matogrosso na década 70 escanalizava com as apresentações da sua Banda na época Secos & Molhados, só de sunga, envolto em palha, pêlos e penas criando uma identidade muito nacional do estilo.

glam

Secos & Molhados (Brasil) – David Bowie (Inglaterra)


Disco

 

O movimento Disco teve seu início na década de 70 nos EUA quando clubes foram abertos para tocar músicas diferentes do rock. Ficou conhecido por ser uma forte expressão da identidade negra, latina e gay nos Estado Unidos. Desde a década de 60 gravadoras como a Motown já faziam sucesso com seus artistas de jazz, soul e funk. Mas com abertura de clubes específicos para dança, houve toda uma revolução que durou até quase a década de 90.

 

Os famosos “passinhos” foram inventados nas pistas de clubes como o famoso Estúdio 54. Ternos claros, camisa aberta, correntes de ouro e muita ginga no pé, assim John Travolta imortalizou a Disco Music no filme Embalos de Sábado a Noite, no Brasil foi a novela Dancing Days que demonstrou a tendência.

A pista era o templo de uma nova religião, e sabe aquela história de usar a melhor roupa na missa? Foi na era Disco que isto se mostrou realidade. Tudo que chamasse atenção era válido. Paetês e lantejoulas, bordados, vestidos esvoaçantes e calças boca de sino. Foi a época do Black Power e o período de maior colaboração musical dos negros para a música pop. Embora já existissem Divas do Jazz e do Soul, as divas Disco ganharam um status ainda maior por encantarem o público gay, o que é quase uma regra até hoje com as musas do pop moderno.

Embora fosse uma cultura underground nascida nos guetos, muitas bandas brancas fizeram extremos sucesso neste período como Bee Gees e a australiana Abba.

YOU SHOULD BE DANCING – Bee Gees


Punk

O conceito de Punk se baseia num extremo do movimento de contracultura que ao contrário dos Beats que queriam entender o mundo e dos hippies que desejavam viver em paz, buscava na agressividade e no sarcasmo da sociedade e da política sua forma de expansão. Pregando um tipo de socialismo de nicho, ou anarquia integrada, vivem até hoje inseridos na sociedade do consumo buscando sobrevivência, mas pregando contrariedade e insubordinação aos estados.

De qualquer forma de tanto pregar uma ideologia, criaram querendo ou não um estilo reconhecível em qualquer lugar no mundo. Uso de roupas pretas, correntes, cabelos coloridos, espetados, piercings e tatuagens. Nascido (historicamente) nos Estados Unidos com a banda Ramones em 74, o estilo musical punk tinha como alvo principal a crítica da sociedade normativa. Ramones o fazia de maneira mais sarcástica e debochada enquanto que na Inglaterra de 1975 nascia a banda Sex Pistols, de caráter mais político e agressivo. Até a indumentária das bandas inglesas eram mais agressivas que seus correlatos americanos e embora todas tivessem um carater completamente oposto a qualquer norma social, isto ficava implícito no comportamento autodestrutivo de alguns de seus ícones, como no caso de Sid Vicious.

punk

Henrique Cabral

Henrique Cabral

Produtor Executivo e Gráfico de Moda tendo produzido campanhas no Brasil e no Exterior. Acredita que o vestuário é uma das das formas de comunicação não verbal mais fortes da sociedade.

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