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O design das canetas BIC

Por Mauro Adriano Müller

Sim, é isso mesmo que você leu: “design das canetas BIC”. Se você nunca reparou nisso, o post de hoje vai te ajudar a lembrar que muitos dos objetos que usamos em nosso dia-a-dia foram tão bem projetados – e cumprem perfeitamente suas funções – que acabamos por não perceber todo o design que existe neles.

A história

Em junho de 1938, o editor de jornal László Biró solicitou uma patente britânica para um novo design de caneta, que havia desenvolvido com a ajuda de seu irmão. Biró observou que desperdiçava muito tempo enchendo sua caneta de tinta, limpando borrões e rasgando páginas com a ponta de sua caneta-tinteiro. A solução: encaixar, na ponta da caneta, uma minúscula esfera que ficava solta, tornando-se um canal para soltar a tinta. Explicando melhor: os pigmentos são adicionados a um solvente, e essa mistura molha a esfera na ponta da caneta, que gira e passa a tinta para o papel. É daí que surge o nome “esferográficas”.

Em 1945, Marcel Bich , junto com seu sócio Edouard Buffard, comprou uma fábrica de canetas-tinteiro e lapiseiras de grafite, na França. O negócio cresceu, e o desenvolvimento das canetas esferográficas nos Estados Unidos e na Europa, também. Percebendo todo o potencial desse novo instrumento de escrita, Bich comprou os direitos de patente de Biró, e começou a fabricar sua própria caneta esferográfica, em 1950, dando a ela o nome de  “BIC” (o “h” do Bich foi retirado para evitar a pronúncia bitch, em inglês).

A caneta fez tanto sucesso que Marcel Bich acabou comprando a empresa de László Biró, sua concorrente, em 1957.

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Como bem de consumo produzido em massa, a caneta BIC era barata o suficiente para ser descartável – também era improvável que o dono tivesse grandes preocupações caso perdesse a caneta. O grande sucesso das canetas é resultado da filosofia de produto da BIC: “somente o necessário”, onde o objetivo é a harmonia entre a forma e a utilidade de um produto, impulsionada pela funcionalidade, simplicidade e preço.

Detalhes fazem a diferença, sim

Os pequenos detalhes e características presentes nas canetas BIC também justificam seu sucesso entre os consumidores. Para sua fabricação, são utilizados o poliestireno (corpo transparente), polipropileno (tampa) e latão/níquel (ponta). Já a “bolinha” que fica na ponta da caneta é feita de carbureto de tungstênio, um material empregado em balas de revólver e que é 4 vezes mais resistente do que o aço. Por ser amplamente difundida no ambiente escolar (diga-se: crianças), todas as fórmulas de tinta das canetas BIC são atóxicas, e sua composição é regulamentada na maioria dos países onde a caneta é comercializada. Mais uma: cada caneta possui uma carga de tinta suficiente para escrever por entre dois e três quilômetros.

A tampa das canetas BIC possui um orifício de ventilação, projetado para minimizar os riscos de asfixia, caso esta tampa seja engolida.  Esse orifício de ventilação foi incluso nos padrões internacionais de segurança depois de um incidente no final da década de 1980, onde uma criança do Reino Unido acabou morrendo a inalar uma tampa de caneta. No meio do corpo da caneta também existe um pequeno furo, responsável por manter a pressão atmosférica dentro da caneta igual à de fora, que também faz a pressão empurrar a tinta para a ponta da caneta.

O corpo da caneta tem formato hexagonal, que melhora e facilita a “pega” e o manuseio da caneta. E com seis lados, fica mais difícil para ela rolar e cair da mesa, não é mesmo?

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Peça de museu

Sim, isso mesmo que você leu, caro leitor: a caneta BIC, mesmo produto que você usa, é tão bem concebida em termos de design, que foi incluída na coleção permanente do Museum of Modern Art (MOMA) em Nova York, em 2002. Ela também é a caneta mais vendida no mundo, desde  setembro de 2005, quando foi comercializada a centésima bilionésima caneta esferográfica descartável da BIC, o que faz dela um verdadeiro clássico do design industrial.

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Referências:

Mauro Adriano Müller

Mauro Adriano Müller

Gaúcho, 24 anos, estudante de Design na Universidade Feevale/RS. Acredita que o Design pode (e deve) mudar o pensamento das pessoas sobre o mundo e sobre as muitas coisas que existem nele.

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