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Depende é do referencial: Lygia Clark

Por Luanna Abreu

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.

É com essa frase de um homem inspirador Ferreira Gullar que começarei a minha nova coluna  “Arte como inspiração e referência para o design”. Nas postagens passadas dei uma idéia sobre o que era Design Sonoro, agora nas futuras matérias mencionarei grandes artistas como Helio Oiticia, Lygia Clark, Oscar Niemeyer, Amilcar de Castro, Joaquim Tenreiro, etc. Mostrarei à vocês nomes da arte neoconcreta, modernismo, minimalismo que hoje são inspiração no design de produto e gráfico, moda e referência para vários designers brasileiros.

Começaremos então pela artista plástica Lygia Clark. Nascida em Belo Horizonte no dia 23 de outubro de 1920, foi pintora, escultora  e um nome importante na arte neoconcreta no Brasil.

Lygia Clark posa em frente às obras da série Unidade

Em 1959 criou os “Casulos”. Feitos em metal, esse material permite que o plano seja dobrado, assumindo uma busca da tridimensionalidade pelo plano, deixando-o mais próximo do próprio espaço do mundo.

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Lygia cria a série “Bichos”: esculturas, feitas em alumínio, possuidoras de dobradiças, que promovem a articulação das diferentes partes que compõem o seu “corpo”. A experiência com a maleabilidade de materiais duros converte-se em material flexível.

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A trajetória de Lygia Clark faz dela uma artista atemporal tanto ela quanto sua obra fogem de categorias ou situações; Lygia estabelece um vínculo com a vida.  A proposta de utilizar objetos do nosso cotidiano (água, conchas, borracha, sementes), já aponta no seu trabalho uma intenção de desvincular o lugar do espectador dentro da instituição de Arte, e aproximá-lo de um estado, onde o mundo se molda, passa a ser constante transformação.

Hoje em dia vemos exemplos da arte de Lygia como inspiração, exemplo disso ocorreu na coleção da estilista Raquel Davidowicz,  para o verão 2014 criou peças de roupa que buscava o movimento e deslocava sua arte no espaço. Dessa forma, Raquel construiu suas roupas sem se prender a uma silhueta, com camadas, sobreposições e leveza.

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Na cabeça das modelos, réplicas da obra “Bichos”, que também está presente na estamparia. Na passarela, uma réplica da obra “A Casa é o Corpo”, de 1968.

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E no design de produto com poltronas inspiradas em Lygia, fabricadas pela empresa Pé Palito:

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Em resumo, esses são exemplos da arte trabalhando como referencial para designers e estilistas. Sem esquecer da ergonomia e de vários outros fatores importantes que estudamos quando entramos em uma faculdade de design, de moda. Esses grandes nomes nos ajudam a acrescentar idéias inovadoras e aprender a olhar o mundo com outros olhos, com os olhos da inovação.

É isso aí, na próxima matéria veremos sobre a vida e obra de Joaquim Tenreiro… (:

Luanna Abreu

Luanna Abreu

Acadêmica de Bacharelado em Design na UTFPR, Bolsista de Iniciação Científica no PET (Programa de Educação Tutorial), Mezzo-Soprano no Coro da UFPR. Completamente apaixonada por música erudita e arte!

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