rashid karim

Karim Rashid

Por Mauro Adriano Müller

O post de hoje é mais um da série “designers que você deveria conhecer“. Com mais de 3000 projetos executados em 40 países, 300 prêmios conquistados , Karim Rashid é um dos maiores nomes do design contemporâneo.

Rashid nasceu em Cairo, no Egito, em 1960. Filho de pai egípcio e mãe inglesa, foi criado no Canadá. Formou-se em Desenho Industrial no ano de 1982, pela Carleton University de Ottawa, e completou a pós-graduação na Itália. Ao voltar para o Canadá, Rashid passou 7 anos na KAN Industrial Designers, empresa que tinha clientes importantes, como a Samsung. O designer tentou propor o uso de novas tecnologias e materiais, como o polipropileno, mas a aceitação, na época, não era nada fácil. Nesta época, em paralelo à KAN, Karim, juntamente com mais dois arquitetos, fundou a Babel Fashion Collection,  desenhando coleções durante seis anos. Apesar da Babel não estar mais ativa, seu interesse por moda sempre permaneceu, e ainda hoje ele produz roupas e acessórios.

Vodka AnestasiA, design de Karim Rashid premiado no iF Packaging Design Award

Vodka AnestasiA, design de Karim Rashid premiado no iF Packaging Design Award

Quem observa os produtos desenhados por Rashid percebe que o plástico está presente em praticamente todas as suas criações. De acordo com ele, o design não trata de formas, mas de uma crítica cultural e de uma transformação gradual da sociedade em que vivemos. É assim que o plástico, material do século XXI, versátil por definição, torna-se seu material preferido e também uma marca do seu trabalho.

“O Plástico é um material tão maleável, flexível, biomórfico, de alta performance, democrático, confortável, complexo, moldável. Sempre sonhei com um mundo feito de plástico, onde tudo é aconchegante, suave, arredondado e lindamente colorido.”

B-Line Snoop Table, 2011

B-Line Snoop Table, 2011

Lixeira Garbino, que se tornou peça de museu no The Museum of Modern Art (MoMA), e a cadeira Koop, com o conceito de ser semelhante ao útero, confortável e sereno.

Lixeira Garbino, que se tornou peça de museu no The Museum of Modern Art (MoMA), e a cadeira Koop, com o conceito de ser semelhante ao útero, confortável e sereno.

Rashid, pertence à geração de profissionais que fizeram a conexão entre a antiga noção de design, associada à idéia de produtos exclusivos e de alto valor, e seu significado atual, como uma ferramenta para a criação de produtos populares, que se diferenciem dos concorrentes pela elegância e vantagens de uso. Rashid alega que existe uma grande quantidade de produtos que passam despercebidos no mercado, e precisam de um mínimo de graça e leveza.

De acordo com Rashid, quanto maior a variedade, menos tendenciosa será a escolha dos consumidores. A diferença e variedade dos produtos no mercado contribuem inclusive para a construção de nossa personalidade através das coisas que consumimos. Rashid vê o design não só como uma área de inovação, mas como uma possibilidade de libertação do consumidor.                  

“Nossa existência é determinada, em boa medida, pelos objetos e pela arquitetura ao nosso redor. Quando os transformamos para melhor, a vida também evolui.”

Alguns produtos criados pelo designer.

Alguns produtos criados pelo designer.

Rashid já trabalhou como designer gráfico, criando para marcas como Hyundai, Citibank e Sony Ericsson, projetou produtos para Asus e Samsung, desenhou embalagens para marcas como Kenzo e Hugo Boss, e para outras empresas de relevância internacional, como  Alessi, Prada e Giorgio Armani. Aqui no Brasil, Karim Rashid assinou uma coleção para a marca de calçados Melissa.

O “KARIMANIFESTO”

“Hoje, o Design é baseado em uma infinidade de critérios complexos: experiência humana, comportamentos sociais, questões globais, econômicas e políticas, interação física e mental, forma, visão e uma compreensão rigorosa e desejo para a cultura contemporânea. A manufatura é baseada em outro grupo coletivo de critérios: investimento de capital, participação de mercado, facilidade de produção, disseminação, crescimento, distribuição, manutenção, serviços, performance, qualidade, questões ecológicas e de sustentabilidade. A combinação desses fatores moldam nossos objetos, nosso espaço físico, a cultura visual e nossa experiência humana contemporânea. Este é o negócio da beleza. Toda empresa deve estar totalmente preocupado com beleza – que é, afinal, uma necessidade humana-coletiva.Acredito que poderíamos estar vivendo em um mundo totalmente diferente – um que estaria cheio de objetos contemporâneos inspiradores, espaços, lugares, mundos e experiências. O Design foi o formador cultural do nosso mundo desde o início. Nós projetamos sistemas, cidades e commodities. Abordamos os problemas do mundo. Agora, o design não é sobre a resolução de problemas, mas cerca de um embelezamento rigorosa dos nossos ambientes construídos. O design é sobre a melhoria de nossas vidas poéticamente, esteticamente, experimentalmente, sensorial e emocionalmente. Meu desejo real é ver as pessoas vivendo no modus do nosso tempo, para participar no mundo contemporâneo, e para liberar-se da nostalgia, tradições antiquadas, velhos rituais, kitsch e sem sentido. Devemos ser conscientes e sintonizar com este mundo, neste momento. Se a natureza humana é viver no passado – para mudar o mundo é necessário mudar a natureza humana.”

Para quem quiser conhecer mais o trabalho de Karim Rashid:

http://www.karimrashid.com

Mauro Adriano Müller

Mauro Adriano Müller

Gaúcho, 24 anos, estudante de Design na Universidade Feevale/RS. Acredita que o Design pode (e deve) mudar o pensamento das pessoas sobre o mundo e sobre as muitas coisas que existem nele.

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