Alimation

Por Wagner Regis

Quando pensamos em produzir uma animação, a nossa cabeça vem sempre imagens extremamente bem desenhadas, coloridas com aquarela, modelos perfeitos de criaturas em 3D, efeitos visuais digitais que nem em nossos sonhos pensaremos como poderiam ser feitos, e algumas vezes, isso acaba inibindo aqueles que possuem o desejo de aprender, e desfrutar, do processo de produção de um desenho animado.

Akexandre Dubosc, mostra em seu curta, que – em alguns casos – usamos todos esses pontos mencionados como muletas para limitar nosso senso criativo e não percebermos as possibilidades que existem ao nosso redor. Seu curta, “Alimation” (originalmente criado para participar do Annecy International Animated Film Festival, de 2011), depois de pronto fez parte da seletiva concorrente de em mais de 20 festivais, percorrendo o mundo, inclusive o Brasil (participando do “MUMIA – Mostra Udigrundi Mundial de Animação”).

Em “Alimation” você pode, num primeiro momento, achar estranho que o processo se trata de uma filmagem de algo em movimento, e não necessariamente um desenho quadro-a-quadro, ou algo que estamos acostumados para uma animação. Contudo, Dubosc ousou muito nesse sentido! A sua produção é baseada no alicerce da história da animação, seguindo os mesmos conceitos do brinquedo óptico, conhecido como zootrópico. Isso é algo que vem a ser confirmado ao você visitar a galeria de fotos dele, com o registro do Making of e a preparação das cenas.

Fiquei imaginando quando tempo levou para ele realizar a produção desse projeto, visto que os doces são de argila, além do próprio storyboard usado para determinar os melhores enquadramentos prospectando obter essa ilusão de movimento. Algo que acontecia, inclusive, nas antigas colunas de templos egípcios (como da deusa Isís, em 1.600 A.C.), as quais eram pintadas imagens sequenciadas, que quando alguém passasse a cavalo, teria a impressão de houvesse movimento naquelas representações – como mostrado no trecho “Choco Show”.

Enfim, o zootrópico é um apareto deveras interessante, e faz parte do pacote de oficinas gratuitas ofertadas no Anima Mundi. Como o evento encontra-se na sua etapa itinerante, já esteve em Belo Horizonte, e em breve em Curitiba, nem preciso dizer que vale a pena participar, ou ao menos acompanhar as atividades e exibições para desfrutar um pouco disso tudo.

Wagner Regis

Wagner Regis

Designer Gráfico por formação e Pós-Graduado em Jogos Digitais (UP). É co-fundador do estúdio de animação "Make Toons", professor na Universidade Positivo, e feliz por gostar do que faz.

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