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Geração X Y Z e suas heranças estéticas na moda – Parte I

Por Henrique Cabral

50 e 60 Baby Boomers

Quando um indivíduo passa a servir como referência para todo o grupo, aos poucos as características deste passam a fazer parte do estilo de todos, pois torna fácil o reconhecimento daqueles que compartilham das mesmas idéias.
No pós Guerra da década de 50 muito do que podemos encontrar em pesquisas de moda nos direciona para o New Look de Dior (que não abordarei nesta coluna) ou no look descompromissado “Sport” da classe média americana.
Após a segunda guerra muitas culturas se formaram em torno da idéia de que a vida era curta, as ameaças iminentes, a qualquer momento uma nova tragédia poderia abater o mundo, portanto havia uma mensagem subliminar em toda a publicidade de aproveitar a vida ao máximo preferencialmente consumindo. Mas o que considero mais importante nos movimentos de vanguarda, os grandes precursores dos estilos que se tornam referência para a moda, são os aspectos questionadores da sociedade num dado momento, da história ou de um país.

E são estes grandes questionadores que vamos abordar para entendermos a sucessão das gerações, suas conquistas e importância para as gerações seguintes. No geral o que estes movimentos tiveram em comum foi insatisfação com política, religião, condições sociais e condições de trabalho.

Beat Generation

Os anos 50 foram marcados por diversas transformações na sociedade mundial. A juventude que nascia tendo o fantasma da segunda guerra questionava o mundo e seus valores deturpados. Desejavam entender o sentido de tudo e encontravam na cultura uma forma de expressão, estilo e meio de vida.

Os beatniks (termo da junção das palavras beat, contração de beatitude e Sputnik, projeto dos primeiros satélites artificiais) como ficaram conhecidos comumente os integrantes da Beat Generation foram os primeiros a estabelecer uma correlação entre cultura e paz. Conhecidos pelos hábitos boêmios, encontros regados a vinho, música e literatura também adotaram o preto, cor aristocrática, como forma de manifesto por ser um movimento anti-materialista e de reforma.

Muitos beatniks buscavam respostas não só na elucubração constante em cima de obras como as de Jack Kerouac, mas também em filosofias novas para o ocidente. Nesta época a China invadia o Tibet e espalhava sem saber, o budismo para o mundo. Após a morte de Mahatma Gandhi, a curiosidade sobre a Índia e suas filosofias não-violentas também cresce, principalmente na Inglaterra. Mais tarde os próprios Beatles serão fortemente influenciados pelos beats e sua postura anti-materialista e espiritualista.

Beatniks

Beatniks

Embora o estilo Beat seja muito livre do ponto de vista filosófico, os looks na maioria das vezes são compostos por: Camisas listradas ao estilo Breton, boinas pretas (ambos uma referência clássica aos autores franceses preferidos pelos Beats originais) Calças skinny para eles, cigarretes para elas. Look total Black óculos escuros (sempre) e um livro na mão são uma alternativa (mas não seja fake, leia os livros que carregar).

Teddy Boys

Na Inglaterra outro movimento se estabeleceu neste período. Os Teddy (boys e girls) foram um movimento social londrino que partiu de jovens, na maioria de baixa renda que adotou o estilo edwardiano de se vestir quase que sem alterações. Embora alguns considerassem um estilo caro, a apropriação de um período histórico fazia parte de um resgate da própria identidade inglesa depois da Segunda Guerra. Não eram críticos nem pacifistas como os beatniks, mas mostravam a força de um estilo original nascido espontaneamente de um segmento da sociedade.

O orgulho exagerado das próprias raízes também fez com que os Teddy fossem considerados um grupo xenófobo na época.

Teddy Boys

Teddy Boys

Talvez ninguém fique bem hoje em dia com casacas longas como as usadas no Séc. XIX. Mas basta colocar lapelas e punhos de veludo ou cetim num blazer de gabardine encontrado num bom brechó, tudo isto por cima de uma camisa branca e gravata slim (na falta de uma Ascot ou uma Bow Tie) e você ganhará uma passagem direta pro subúrbio de Londres.

Algumas teddy girls apresentavam um estilo andrógino, a ponto de alguns pesquisadores considerarem isto perigoso, pois as Teddy Girls corriam risco de serem agredidas e até presas (até 1950 a homossexualidade era passível de prisão no Reino Unido).

Pras garotas bastam calças com as barras feitas abaixo dos joelhos blazers pretos, lenço no pescoço e sim, a camisa branca.

Teddy Girls

Teddy Girls

Os Rockers também eram jovens de classes baixas que tinham na liberdade conferida pelas motocicletas sua grande paixão. O dinheiro destes eram gastos em jaquetas de couro e motos. Foi no meio deste movimento que o uso do jeans como artigo democrático encontrou sua expressão máxima. As Jaquetas de couro já eram utilizadas nas corridas de moto. As calças Jeans desde o século 19 já eram utilizadas largamente pela classe operária pela durabilidade e resistência.
James Dean e Marlon Brando se tornaram os retratos perfeitos desta geração, e a música mundial ganhou seus maiores ídolos. Foi através do rock que também houve uma melhor aceitação da comunidade negra nos EUA e no mundo, porque se Elvis era o rei do rock, isto só foi possível porque Chuck Berry foi o pai.

Rockers

Rockers

Rude Boys e Skinheads

Quando imigrantes provenientes da colônia da Jamaica chegaram à Inglaterra e se misturaram aos operários ingleses, houve toda uma revolução cultural. As músicas de Ska jamaicanas com letras mais politizadas e cunho inclusivo conquistaram a juventude inglesa excluída e deu início ao movimento skinhead, originariamente contrário a segregação racial e xenofobia de outros grupos. O Ska era a música da inclusão na Inglaterra, enfim.

Rude Boys

Rude Boys

Caracterizados pelos cabelos raspados, coturnos sobre o jeans e camisetas ou camisas pólos brancas com suspensórios, roupas de trabalho. Foi só nos anos 70 que os skinheads se dividiram em grupos políticos hoje existindo desde extremistas de direita quanto esquerda em seu meio, ficando quase impossível distingui-los.

Devido à predileção dos skinheads neonazistas por algumas marcas tradicionais de roupas, muitas delas passaram a utilizar modelos multiétnicos em suas campanhas, encarecer e até mesmo retirar de linha certos produtos para são serem vinculadas a este segmento.

Na próxima coluna:

  • 60 e 70
  • Mods, Hippies, Disco, Punk, Glam
Henrique Cabral

Henrique Cabral

Produtor Executivo e Gráfico de Moda tendo produzido campanhas no Brasil e no Exterior. Acredita que o vestuário é uma das das formas de comunicação não verbal mais fortes da sociedade.

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