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O Designer Valorizado – Parte 2

Por Mauro Adriano Müller

No post anterior, vimos os cinco modelos (ou tipos) de profissionais de design segundo Nigel Whiteley: o designer formalizado, teórico, politizado, consumista e o designer tecnológico. Whiteley afirma que todos estes tipos são limitados em certos pontos, e que é preciso desenvolver um novo modelo de ensino em design, que esteja devidamente adequado às necessidades do presente momento em que vivemos. Este modelo de ensino deverá criar o designer valorizado.

Mas qual seria a definição de um designer valorizado? O que ele faz, quais são os seus valores? Adotando a descrição de Whiteley, o designer deve ser “crítico, construtivo e de visão independente, que não seja nem ‘lacaio do sistema capitalista’ nem um ideólogo fanático de algum partido ou doutrina, e nem um ‘gênio tecnológico’, mas sim um profissional apto e disposto a desempenhar seu trabalho com conhecimento, inovação, sensibilidade e consciência”, não pode de maneira alguma, ser um mero e simples sonhador, um teórico distante ou um técnico sem imaginação. O designer precisa ser um verdadeiro profissional, sendo consciente de suas obrigações para com a sociedade, no mesmo nível que tem um profissão médica, por exemplo. Aproveitando mais uma ressalva de Whiteley: o designer valorizado tem total conhecimento de que qualquer produto, programa ou serviço criado por ele, na maioria das vezes não atinge apenas seu cliente, mas também pode influenciar uma comunidade ou até uma sociedade inteira, direta ou indiretamente.

O designer valorizado também tem interesse em questões ecológicas: não apenas preocupando-se com a sustentabilidade ambiental, mas também repensando o lado negativo do design, como o estímulo ao consumismo, por exemplo. O designer, antes de qualquer coisa, deve ser um questionador: será que tal criação é realmente necessária? O projeto terá algum valor real? Vai ser diferente daquilo que já existe, ou será apenas mais um no mercado?

Um designer deve ter boas ideias, sempre. Mas para que grandes e boas ideias possam surgir, como em tantas outras profissões do “ramo criativo”, um designer precisa ter repertório. O designer valorizado é dono de repertório tanto teórico quanto prático, e sempre anseia por mais conhecimento e inspiração, nunca está satisfeito. Ele sabe conciliar teoria e prática, pois sabe que usando apenas o conhecimento teórico, corre o risco de gerar nada mais do que conceitos abstratos e remotos, e utilizando apenas o conhecimento prático, corre o risco de produzir sem qualquer finalidade, sem conceito algum. É o entendimento de seus referenciais teóricos e práticos, do saber como e porquê se faz, que faz com que o designer valorizado não crie propostas aleatórias ou sem fundamentos, mas sim soluções abrangentes e completas.

Concluindo, o designer valorizado vê no design o potencial de contribuir para uma qualidade de vida melhor: ele enxerga no problema, uma oportunidade. Sendo assim, o designer valorizado deve ter consciência, além de tudo, do seu próprio valor.

Aproveitando o post, gostaria de fazer um vínculo com o documentário “A folha que sobrou do caderno“, que entre outros temas, discute a relação aluno/universidade/professores nos cursos de design brasileiros, e a melhoria dos mesmos.

 

Referências:

 

Mauro Adriano Müller

Mauro Adriano Müller

Gaúcho, 24 anos, estudante de Design na Universidade Feevale/RS. Acredita que o Design pode (e deve) mudar o pensamento das pessoas sobre o mundo e sobre as muitas coisas que existem nele.

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