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Alexey Brodovitch

Por Raphael T. Inoue

O espaço “Designers que você deveria conhecer” do site da Revista Cliche tem a proposta de trazer mais informações sobre profissionais que foram ícones em suas épocas, e que são marcos na construção do design como conhecemos hoje. Então, hoje falarei mais sobre Alexey Brodovitch.

Alexey, russo, nasceu no ano de 1898 na cidade de Ogolitchi e pertencia a uma família rica, mas quando fugiu para Paris com 22 anos, viu-se pobre e sem trabalho. Seria necessário, pela primeira vez em sua vida, trabalhar para ganhar dinheiro. E vivendo na cidade de Montparnasse ele encontrou uma comunidade de artistas que fizeram com que a vontade de ser artista ficasse ainda mais forte.

História

No ano de 1920, exilado pela Revolução de Outubro, Alexey foi para Paris com sua família onde obteve um pouco de reconhecimento devido a seu trabalho gráfico. Quatro anos depois fez um poster que foi vencedor de um concurso e, em 1925, foi premiado pelo desenvolvimento de um display para a Feira Internacional de Artes Decorativas. Já no ano de 1930, Alexey foi convidado para dar aulas na Escola do Museu da Filadélfia, no Departamento de Design Publicitário para ensinar conceitos fundamentais do design europeu. Em paralelo ao magistério começou a atuar como freelancer de ilustração. Chegando ao ano de 1934 o editor da Harper’s Bazaar o convidou para ser o diretor de arte da revista.

Harper’s Bazaar

A Harper’s Bazaar é um periódico mensal com temas de moda, luxo e estilo de vida, tornando-se uma das revistas femininas dos Estados Unidos mais importantes e influentes de todo o mundo. Alexey foi um dos primeiros designers a ser considerado um diretor de arte, sendo responsável pelo projeto editorial da Harper’s Bazaar. Seu trabalho, entre os anos 40 e 50,  foi revolucionário por ter trazido o trabalho dos artistas europeus para dentro da magazine. Como “assinatura” de seus trabalhos tinha o uso de espaços brancos (vazios), layouts em páginas abertas. O seu design tinha como premissa a simplicidade, o frescor e a clareza.

Capa da Edição de Setembro de 1956

“Eu vi uma concepção nova e fresca de técnica de layout que me atingiu como uma revelação: páginas que sangravam lindamente, fotografias cortadas, tipografia e design arrojado.”

– Carmel Snow

Capa da Edição de Julho de 1958 - um de seus últimos trabalhos na magazine

Em uma revista de moda, as roupas não eram apresentadas apenas como peças de fábrica, mas como signo de personalização das pessoas. E na composição das páginas, três elementos eram considerados essenciais: fotografia, texto e espaços vazios.

Conclusão

Alexey tinha o desejo de estudar na Academia de Belas Artes de seu país, mas se viu obrigado a lutar a Primeira Guerra Mundial e a abandonar o seu sonho. Porém, chamado por Carmel Snow (editor da Harper’s Bazaar) levou seu conhecimento sobre design editorial para o país norte-americano onde aplicou o estilo funcionalista do design gráfico moderno europeu e revolucionou o projeto editorial da magazine e das outras revistas de moda do mundo inteiro.

O uso de layout em páginas duplas, espaços em brancos é evidente

Após 28 anos de trabalho na magazine, Brodovitch deixou o cargo e passou a fazer parte da American Institute of Graphic Arts – AIGA, principalmente por sua contribuição ao design gráfico. No ano de 1959, Alexey fez um de seus últimos trabalhos sendo diretor de arte do livro Observations de seu amigo Richard Avedon. Após isso, continou sua carreira como professor, e a partir de 1966 ele decidiu morar na França, onde faleceu cinco anos mais tarde.

"Observations", um dos últimos trabalhos de sua carreira

Raphael T. Inoue

Raphael T. Inoue

Gestor da Revista Cliche e graduado em Design Gráfico pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, atualmente navega nos mares relacionados a Empreendedorismo, Fotografia e Gestão.

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