Model of human brain

Controle (ou não) da criatividade

Por Lucas Queiroz Morais

Sempre me questionei sobre o controle que o designer tem sobre o próprio projeto. Um insight nada mais é que um estalo que acontece no nosso cérebro, totalmente formulado no nosso subconsciente, onde nossas referências e repertório se encontram. Se a criação surge daí, como podemos dizer que realmente criamos algo se nunca pudemos controlar o nosso subconsciente?

É uma incógnita até hoje entre os especialistas, a questão de o quanto a criatividade tem sua base no pensamento inconsciente e irracional, e o quanto no pensamento consciente e racional. Essa certeza é difícil de ser mensurada, pois adentra os limites da percepção humana. (PANTALEÃO, PINHEIRO,2009)

A criatividade é um assunto que é tratado como próximo da mágica, pela sua subjetividade e indefinição. Como lida com a percepção de cada ser humano, sua bagagem cultural, emocional e intelectual, não é facil atribuí-la completamente ao ser humano que cria algo, ou ao seu subconsciente (que já sabemos, é a parte do nosso cérebro que não controlamos) Se é tão complicado, como podemos afirmar que a criação é de inteira responsabilidade do designer?

Mas o subconsciente é meu, como não fui eu que criei?

Calma lá. Não estou dizendo que não foi você, mas que talvez, essa idéia ou solução de design tenha saído de caminhos que você não conseguiria percorrer de modo racional. Assim, fica ainda a pergunta de se realmente detemos o controle sobre o processo.

Outra coisa que complica é que o design é uma das atividades que mais estão “entre” coisas. Estamos entre arte e ciência, cultural e tecnologia, entre outras dualidades, é mais complicado ainda dizer se a nossa intuição não tem papel definitivo na criação de design.

Assim, porque não deixar a criação na mão do computador, sabemos que ele não temsubconciente, pelo menos. A linguagem de programação Processing, por exemplo, possibilita que parte do processo criativo (ou todo ele, dentro de alguns parâmetros) seja controlado por um código escrito no computador.

Projeto do estúdio Green Eyl, feito com Processing

Ele é uma linguagem desenvolvida para pessoas que querem criar imagens, animações e interações, como diz no site do software (que, ainda melhor, é livre, e grátis). No caso da identidade visual do MIT Media Lab. São mais de 40 mil variações para a logo. Variações geradas por computador, dentro de parâmetros estabelecidos pelos designers. Ou ainda:

Identidade visual da Conferência da ONU – Copenhagen 2009


Projeto do estúdio NR 2154

MTV 2009 Assinatura


Projeto do estúdio DMTR

Esses exemplos, apesar de suas limitações técnicas, mostram que há design sem o toque do designer em todos os momentos (pelo menos não fisicamente). Existem ainda metodologias que inserem a aleatoriedade no processo de criação, o Brainstorming é a mais famosa delas.

Portanto: até aonde criamos um projeto? Até onde vai o nosso controle sobre ele? E porque não abrir a mão de parte desse controle em prol de um design mais livre e quem sabe, ainda mais inovador?

Lucas Queiroz Morais

Lucas Queiroz Morais

Gosta de muita coisa, e de tudo um pouco. Um homem renascentista (pelo menos dentro da sua cabeça). Apesar disso, tem um especial carinho pela criatividade e como lidamos com ela no dia a dia.

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