Kool-Aid Fun Fizz: Purple

Por Wagner Regis

Um comercial animado, além do objetivo principal da venda, precisa sempre ter um valor diferenciado na sua produção, justamente pelo carisma que ele deve possuir. Visto que crescemos assistindo a desenhos animados, e desse modo, ao assistir uma vinheta, mesmo publicitária, é uma maneira diferente de encarar a comercialização daquele produto.

Nesse comercial de suco em pó, da marca Kool-Aid (conhecida como Ki-Suco, no Brasil), controlada pela Kraft Foods, foi uma dessas surpresas inusitadas. Um produto tão do cotidiano, de que maneira torna-lo atraente? Nesse caso, a proposta foi em criar um micro-universo dentro do copo, aonde diversos monstrinhos que vão devorando um ao outro, e sofrendo transformações (no melhor estilo do game “Spore”), até no final o vulcão explodir terminando a mistura entre as partículas de sabor e a água.

É uma proposta divertida e com certeza chamaria a atenção da criançada. Além do fator de ter um animal de estimação no final do comercial, na parte de live-action.

Porém, para uma animação atingir um resultado relativamente bom, deve seguir algumas orientações consideradas essenciais por todos os animadores profissionais, são os chamados 12 Princípios da Animação, iniciado por Walt Disney. Esses princípios influenciam na reprodução dos movimentos, que por sua vez, transmitem emoções e contexto. Independente da técnica que você venha a trabalhar. Logo, não basta você ser um operador de software de computação gráfica e animação digital, se não deter esses conhecimentos que nasceram na animação clássica. Como dito por Alberto Lucena Jr. (2005) outrora, em seu livro “Arte da Animação”, a importância em criar personagens no papel que conseguem envolver o espectador emocionalmente não é uma tarefa fácil, requer muitos estudos para alcançar um ótimo resultado, tanto no seu design quanto sua atuação.

Sobre Timing (Princípio #01)

Como apresentado por Sergi Càmara (2005), em seu livro “O Desenho Animado”,  o princípio da temporização, ou Timing, indica o tempo que a personagem levará para realizar um determinado movimento, dependendo do ritmo atribuído a cada ação a ser realizada. Quanto mais rápido ou mais leve, menor será o intervalo entre os desenhos das poses da personagem, ou mais pesada e lenta, maior será este intervalo. O Timing permite determinar características do objeto como peso, tamanho e personalidade, ou seja, torna o movimento real e natural. O tempo pode ser também o movimento parcial da ação, como por exemplo, os olhos se movendo de um lado para outro, observando o ambiente enquanto o corpo e o cenário encontram-se estáticos.

De que maneira isso acontece efetivamente? Vemos que em poucos quadros para demonstrar o dinamismo da cena, o monstro maior engole o menorzinho durante sua investida. O Timing representa esse momento de susto (sequência 1).

Kool_Aid_exemplo1

Sequência 1

Por outro lado, aqui o que vemos a mesma iniciativa do monstro que saí de dentro do vulcão (sequência 2), porém após engolir a outra criatura, retorna lentamente como se estivesse disfarçando (sequência 3).

Sequência 2

Sequência 2

Sequência 3

Sequência 3

Timing, apesar de ser o primeiro dos 12 Princípios, sua compreensão ficara mais clara somente após muito treino e principalmente observação, e obviamente, isso resultara num diferencial em seu projeto.

No próximo capítulo, um pouco sobre o Princípio #02. De resto, esse comercial fez parte de uma série de três produções, onde também tínhamos uma versão vermelho e amarelo.

Wagner Regis

Wagner Regis

Designer Gráfico por formação e Pós-Graduado em Jogos Digitais (UP). É co-fundador do estúdio de animação "Make Toons", professor na Universidade Positivo, e feliz por gostar do que faz.

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