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Costuras pós-modernas

Por Isabela Fuchs

Abra seu facebook e fique por lá por uns dez minutos. Quantas selfies você viu? Cinco, no mínimo. Pessoas na sua individualidade se mostrando fazendo coisíssima nenhuma, só fazendo uma simples demonstração de seus rostos e corpos. Tirar foto de si mesmo quer dizer alguma coisa? É um ato poético de instrospecção e de auto-imagem assim como os autorretratos clássicos?

Na realidade não existe nada que represente visualmente melhor a pós-modernidade do que uma selfie; efemeridade, narcisismo exacerbado, celebração do consumo e consumismo como expressão pessoal (hello, selfies com copinhos do Starbucks!), vangloriação do superficial, egoísmo, e a lista continuaria por muitas linhas ainda. Selfie é uma coisa vulgar: é retirar toda a sua essência, a sua polpa, para retratar apenas a casca, a parte mais superficial e sem gosto. Uma fotografia posada não retrata um momento, mas um grupo de pessoas retratando um momento de forma totalmente artificial. Exemplo: é uma festa e você para com suas amigas numa pose meio ridícula, sorrindo, feliz da vida, afinal é o que se espera de uma pessoa na festa. Mas na real você tava era entediada e a música tava chata mas, né, não podia sair mal na foto; emburrada num canto qualquer desesperada porque a cerveja tava quente. Talvez a palavra chave para pós-modernidade agora seja “virtualização”. Os momentos são virtualizados e efêmeros e, porque não, nós mesmos também.

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Essa discussão até um pouco niilista foi a grande inspiração da Erin Riley, só que puxando pra um lado bem mais sensual. Um lance meio selfie que manda pra poucos ou uma coisa de sensualizar na frente do espelho de lingerie, sem ignorar momentos de intimidade como as meninas fumando bong, caindo de bêbadas, o que também cria debate com as questões da pós-modernidade e a falta de intimidade. O que surpreende, além de tudo, é a técnica que foge do original e que cria uma enorme identidade: as peças são bordadas e não pintadas. São obras lindas e delicadas, que “complexizam” a futilidade e a efemeridade pós-moderna.

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Isabela Fuchs

Isabela Fuchs

Estudante de Design na UTFPR. Apaixonada por História da Arte, mas também nutro paixões paralelas como Design Editorial, Design de Embalagens e Tipografia.

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