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Um papo sobre bate-papos: a representação gráfica das mensagens

Por Dario Jofilly

A grande maioria de nós acompanhou a história da internet e das plataformas de bate-papo que hoje permitem esse uso social e compartilhado da rede. Ou seja, todo mundo aqui antes de usar Facebook e WhatsApp começou com o mIRC, ICQ, MSN ou, pelo menos, já ouviu falar dessas maravilhas.

Se a gente fizer uma comparação entre essas plataformas e as de hoje, muita coisa mudou, mas não a essência: o diálogo. Todas elas queriam proporcionar conversas que antes não teriam como acontecer. O interessante é a gente observar o que do layout mudou. Como essas diferentes plataformas apresentavam visualmente o que era uma conversa?

Os tempos de mIRC

Os tempos de mIRC

Falando da internet raiz (à qual não tive o prazer de participar e escrevo apenas como um interessado no assunto), o mIRC era uma plataforma de bate-papo bem diferente do que a gente vê hoje. Ainda era preciso um mínimo conhecimento de informática para realmente aproveitar a plataforma e, para os olhos de hoje, parece ser uma ferramenta confusa.

Talvez a maior mudança de design ao longo dos anos foi a adoção de balões de fala para organizar o texto. Um prum lado e outro pro outro. Essa estrutura visual claramente se consagrou nas versões mobile e a gente vê também no desktop. É só observar o aplicativo de Mensagens do Mac OS X ou as janelinhas de bate-papo do Facebook. Na verdade é difícil encontrar a primeira utilização desse “gênero”, talvez tenha sido o app de SMS do primeiro iPhone, mas realmente não sei (inclusive se alguém tiver alguma ideia deixe nos comentários por favor!)

Mensagens, WhatsApp, Messenger e Hangout, só alguns exemplos no iOS

Mensagens, WhatsApp, Messenger e Hangout, só alguns exemplos no iOS

Se a gente tentar entender de onde isso vem, provavelmente vamos chegar nos balões de fala das nossas amadas histórias em quadrinho. Nelas, os balões direcionam nosso olhar, não apenas para o emissor daquele discurso, como para a intenção desse discurso, através de espessuras, pesos, formas, estilos de letra e muito mais. Como já dizia o mestre dos quadrinhos Will Esiner:

O balão é um recurso extremo. Ele tenta captar e tornar visível um elemento etéreo: o som. A disposição dos balões que cercam a fala – a sua posição em relação ao outro, ou em relação à ação, ou a sua posição em relação ao emissor – contribui para a medição do tempo. (…) Uma exigência fundamental é que sejam lidos numa sequência determinada para que se saiba quem fala primeiro.

Don Rosa, um outro mestre, em _A Matter Of Some Gravity_

Don Rosa, um outro mestre, em _A Matter Of Some Gravity_

Talvez o sucesso dos balões de fala seja exatamente porque eles foram importados dos quadrinhos. Assim, a plataforma adquire a capacidade narrativa e a informalidade dessa universo. Afinal, o usuário não tem uma conversa formal com outros usuários como em um email. São duas pessoas, dois amigos batendo um papo.

Além disso, existe uma questão de diagramação do diálogo. Em vez da conversa ser uma coluna única de texto onde as falas vão se encadeando uma abaixo da outra, ela é organizada graficamente e os balões ficam em duas colunas: a do receptor, o usuário da plataforma, e a do(s) emissor(es), a(s) pessoa(s) com quem o usuário fala.

Assim, cria-se uma hierarquização de informação que facilita a leitura da conversa e segue a ordem de leitura ocidental, ou seja, da esquerda pra direita. Na primeira coluna, a da esquerda, o que foi escrito pra você e que você precisa ler. Na segunda, a da direita, o que você mesmo escreveu, um conteúdo menos relevante para você mesmo. Enquanto isso, na tela do seu amigo, a relação se inverte para que a experiência se mantenha a mesma.

Porque, de novo, a proposta toda é que esse diálogo entre usuários através de ferramentas online seja só um bate-papo entre amigos.

 

Referências

Dario Jofilly

Dario Jofilly

Quase se formando em (quem diria?) Publicidade e Propaganda pelo curso de Comunicação Social da UnB, se pergunta como vai conseguir sobreviver e continuar estudando design, arte e imagem. Enquanto isso, aproveita a experiência única que é viver em Brasília.

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