Orgesticulanismus

Por Ulisses Candal

Apesar do virtuosismo e da técnica impecável do animador francês Mathiu Labaye, o que mais me marcou quando assisti esse vídeo foi a sua imensa sinceridade.

Orgesticulanimus foi um tributo que o artista fez ao seu pai, que sofreu de múltiplas escleroses ao longo da vida e aos 40 anos ficou confinado em uma cadeira de rodas.

O curta é divido em 3 partes, na primeira, com uma narração em off, o artista reflete sobre a relação do ser humano com o movimento, o quanto somos dependente dele.

Na segunda parte ocorre a catarse onde, através de uma animação frenética, Mathiu expõe uma turbulência de movimentos, como uma resposta aos impulsos e as angustias que seu pai sentia. Para mim, essa é a parte mais sublime, tanto pela animação extraordinária, quanto pela transposição do sentimentos que ele consegue externar. Uma verdadeira sensação de liberdade no movimento.

Nessa hora podemos perceber o uso exagerado (mas muito bem aplicados) de princípios da animação como o squash & strecth, e o fato dele mudar a cada quadro da animação o desenho do personagem, e não de forma aleatória, pois muitas vezes a mudança do estilo do persongem reage com o movimento animado.

Por fim a animação se torna mais abstrata, trabalhando sempre com o morph, Mathiu continua explorando a questão do movimento agora em formas e cores, abrindo mas espaço para o espectador contemplar e refletir.

Orgesticulanimus é uma das animações que estão cada vez mais difícil de se encontrar, um trabalho que realmente tenha algo a dizer e que, por estar tão relacionada com a vida do artista, torna-se tão sincera.

Ulisses Candal

Ulisses Candal

Ulisses é estudante de Design Gráfico na UTFPR, trabalha com audiovisual e é fã de animação.

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