Diego Max e suas colagens psicodélicas

Por Isabela Fuchs

A colagem é um procedimento artístico que fornece uma gama de sentidos e possibilidades infinitas. Nossos amigos concretistas começaram a usar essa técnica e, desde então, ela foi utilizada de diversos meios, formas e conceitos diferentes. “Sentidos” e “possibilidades” são palavras-chave para os conceitos surrealistas, e se juntar a palavra “mídia” ainda fornece uma gama ainda maior de exploração artística.

O surrealismo trata, principalmente, do inconsciente. Com isso, puxa também a emoção, sensibilidade e o impulso humano. Não somente existiu na pintura e escultura, como grande parte dos movimentos artísticos, mas igualmente na escrita e no cinema (como o clássico Um Cão Andaluz, de Buñuel). O movimento mesmo começou com os Manifestos Surrealistas, no início do século XX.

Agora, na pós-modernidade, surge uma figura peculiar: Diego Max. Ele é doido por ilustração botânica e anatômica e, dessa forma, cria dualidades maravilhosas em seus trabalhos: corpo x espírito, consciente x inconsciente, racionalidade x irracionalidade, contemporaneidade x modernidade, e por aí vai.


Suas composições são, de certa forma, esquemáticas e organizadas. Vê-se que existe um “grid” por trás de suas obras. São colagens bem pensadas. Na verdade que a colagem, tendo suas origens no concretismo, que tem algumas raízes em regras de composição da Gestalt, segue uma espécie de norma irracional de ter uma composição bastante esquemática. E, bem, é essa organização juntamente com a liberdade de manifestação que torna colagem um procedimento artístico lindíssimo.

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A mente humana, racional e esquemática, ilustrada por Diego Max com cérebros e máquinas, aparece juntamente com a fluidez da natureza, com suas flores que nascem dentro de olhos, peixes flutuantes e corações anatômicos comandados como marionetes.


A obra do Diego Max tem uma semelhança incrível com o surrealismo precoce do Bosch: a cada momento aparece um detalhe novo.

Isabela Fuchs

Isabela Fuchs

Estudante de Design na UTFPR. Apaixonada por História da Arte, mas também nutro paixões paralelas como Design Editorial, Design de Embalagens e Tipografia.

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