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A.M Cassandre

Por Zeh Fernandes

Adolphe Mouron foi o escolhido de hoje para ilustrar nossa série de posts “Designers que deveria conhecer“. Nascido em 1901 na Ucrânia, de pais franceses. Aos 14 anos mudou-se para a frança para estudar na Escola de Belas Artes e na Académie Julian, com ambição de se tornar pintor.

No desejo de ser auto suficiente começou a produzir pôsteres, mas com o intuito de ainda virar pintor adotou um pseudonome para suas criações A.M Cassandre.

Contexto

A.M. Cassandre participou de uma época de um enorme otimismo com o progresso. O crescimento e desenvolvimento das indústrias, da tecnologia, das cidades, dos transportes, do entretenimento e das comunicações. O surgimento de movimentos de vanguarda como o Cubismo, o Futurismo, o Construtivismo e o Neoplasticismo promoviam uma ruptura com o passado.

A expansão da produção em massa, somada a métodos promocionais para geração de demanda, passou a priorizar o apelo visual na busca pela sedução do consumidor. E nesta demanda por sedução, o cartaz tornou-se um dos principais veículos, nas palavras de Cassandre:

“O cartaz é apenas um meio para se atingir um fim, um meio de comunicação entre o negociante e o público, algo como a telegrafia. O cartaz faz o papel do telegrafista: ele não é responsável pela notícia, ele meramente a distribui.” – Mouron, Henri. A.M. Cassandre, 10.

Obras

Influenciado pelo cubismo, e acompanhando as tendências, os cartazes de Cassandre são caracterizados por alcançarem uma comunicação efetiva e de grande impacto. Seus desenhos são, na maioria das vezes, sintéticos e compostos por grandes planos de cor chapada em formas geométricas, que enfatizam a bidimensionalidade.

A composição nascia na intenção de ser prazerosa aos olhos, Cassandre utilizava módulos para suas obras. O grids variavam de simples estruturas á módulos sobrepostos na proporção áurea.

Estas duas variações podem ser observadas, a mais simples no cartaz “Florent, 1925” com uma proporção 2:3 e a mais complexa no “L’Intransigeant”.

L’Intransigeant, 1925

Cassandre só terminava uma composição quando a imagem estivesse balanceada com o texto. Ele acreditava que o texto era o item final para a compreensão total da mensagem.

Dubo, Dubon, Dubonnet, 1932

Tipografia

Essa importância em relação ao texto levou Cassandre a desenvolver suas próprias fontes, foram seis: Bifur (1929), Acier (1930), Acier Noir (1936), Peignot (1937), Touraine (1947), Cassandre (1968).

Suas tipografias exploravam o contraste, o peso do branco e do preto e a utilização das capital letters, característica que marcante do seu trabalho tipográfico.
Elas estavam a frente ditando novas tendências.

Respectivamente Bifur(1929) e Peignot(1937)

Conclusão

Em 1968, Cassandre em uma crise de depressão comete suicídio. Ele nunca teve a intenção de impor seu estilo. Assim como muitos outros designers da época, se mantinha distante de qualquer engajamento social ou político. Ele via seu papel como o de um bom comunicador.

Comunicador que deixou um legado importante e memorável, muitos de seus cartazes são facilmente identificados ainda hoje. Seu logotipo para Yves Saint Laurent, projetado em 1963 ainda é uma das imagens mais reconhecíveis na sociedade contemporânea.

Logotipo Yves Saint Laurent, 1963

Sua produção tipográfica persiste até hoje, a Peignot é distribuída comercialmente pela Lynotype, e foi usada em logos como Viacom e o brinquedo Spirotot.

Bônus

Vídeo Peignot

Acervo do MOMA

Apresentação

 

Referências

Mouron, Henri. A.M. Cassandre. Translated from French by Michael Taylor. New York: Rizzoli International Publication, 1985.

Starmer, A.M, Advance Typography, UMBC 2005

Ho, YiuTung. Peignot The Revolution of A.M. Cassandre, 2008

Charles Peignot, O homem por trás das fontes

Zeh Fernandes

Zeh Fernandes

Coordenador do Projeto Cliche e Estudante de Design Gráfico na UTFPR. Seu portfolio pode ser acessado em www.zehfernandes.com

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